
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática, UCID, reagiu esta segunda-feira aos resultados provisórios das eleições legislativas com um discurso marcado pela crítica ao processo eleitoral e pela preocupação com a elevada taxa de abstenção.
Nas primeiras declarações após o encerramento da votação, o candidato do partido, João Santos Luís, admitiu que “as eleições não correram bem” para a UCID, que perdeu dois deputados no novo quadro parlamentar.
A partir da sede nacional do partido, em São Vicente, João Santos Luís afirmou que “a abstenção venceu estas eleições”, considerando que muitos cabo-verdianos se afastaram da participação política.
O líder da UCID denunciou ainda alegadas “atitudes antidemocráticas” e acusou o MpD e o PAICV de utilizarem recursos públicos durante a campanha para influenciar o eleitorado.
Em São Vicente, círculo tradicionalmente forte para a UCID, o partido viu reduzida para metade a sua representação parlamentar, passando de quatro para dois deputados. Um resultado que João Santos Luís classificou como uma desilusão para a ilha.
“O povo de São Vicente trocou o disco para tocar a mesma música”, declarou, defendendo que a UCID foi “a principal voz” dos interesses da ilha no parlamento nos últimos anos.
Apesar da perda de representação, o dirigente garantiu que o partido vai continuar a apresentar propostas alternativas para áreas como economia, justiça, segurança, emprego e desenvolvimento social.
“A luta continua. Perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra”, afirmou.
Questionado sobre possíveis negociações políticas num cenário sem maioria absoluta, João Santos Luís preferiu aguardar pelos resultados oficiais da Comissão Nacional de Eleições antes de assumir qualquer posição.
Cinco forças políticas disputaram estas legislativas: o PAICV, o MpD, a UCID, o PTS e o PP, para um total de 72 mandatos parlamentares distribuídos por 13 círculos eleitorais.