
Às 22h49, os dados disponibilizados no portal da CNE para o círculo das Américas mostravam o PAICV claramente na frente, com 61,4% dos votos, contra 31,3% do MpD.
Os números divulgados indicavam:
Naquele momento, os dois mandatos do círculo ainda apareciam “por eleger”. Contudo, dirigentes do PAICV vieram posteriormente à televisão pública afirmar que os dados internos do partido apontam para a eleição dos dois deputados do círculo das Américas.
Se essa informação vier a confirmar-se oficialmente, o impacto político será enorme.
Até aqui, a leitura dominante da noite eleitoral era a de um Parlamento sem maioria absoluta, com a UCID potencialmente transformada em fiel da balança através dos dois deputados conquistados em São Vicente.
Mas caso o PAICV consiga efetivamente eleger os dois deputados das Américas, o cenário altera-se radicalmente.
A projeção passaria a aproximar-se de:
Ou, dependendo ainda de Santo Antão:
Nesse contexto, o PAICV ficaria muito próximo da maioria absoluta parlamentar, reduzindo drasticamente o peso negocial da UCID.
O facto de o PAICV liderar com mais de 60% dos votos nas Américas torna perfeitamente plausível a hipótese de conquistar os dois deputados do círculo.
Num círculo pequeno, com apenas dois mandatos, o método de Hondt tende a favorecer fortemente o partido mais votado quando existe uma vantagem tão expressiva.
Fazendo uma leitura puramente matemática dos números divulgados:
Ou seja, o segundo quociente do PAICV (286) fica extremamente próximo do primeiro quociente do MpD (291).
Isso significa que poucos votos podem decidir todo o equilíbrio político nacional.
A esta hora, Cabo Verde pode estar perante dois cenários totalmente diferentes:
A ironia desta eleição é que, depois de uma campanha marcada pelo discurso nacional, o futuro político do país pode acabar decidido por algumas dezenas de votos na diáspora das Américas.