ELEIÇÕES | Cabo Verde chega às legislativas com mais de 419 mil eleitores… e uma diáspora que cresce mais depressa do que o próprio país

16/05/2026 13:09 - Modificado em 16/05/2026 13:09

Cabo Verde vai às urnas no  domingo, 17,  com 419.755 eleitores inscritos, segundo dados oficiais da Direção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) e da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

O número representa um crescimento de 6,82% relativamente às legislativas de 2021 — mais 26.802 eleitores — confirmando uma tendência que já se vinha desenhando nos últimos anos: o universo eleitoral cabo-verdiano continua a crescer… mas cresce cada vez mais fora do território nacional.

E talvez essa seja uma das mudanças políticas mais silenciosas da democracia cabo-verdiana.

A diáspora cresce mais rápido do que as ilhas

Segundo os dados oficiais:

  • 347.704 eleitores estão inscritos em Cabo Verde;
  • 72.051 encontram-se na diáspora.

O dado mais impressionante está precisamente fora do país: a diáspora cresceu cerca de 36,5% desde 2021.

Já o crescimento dentro do território nacional foi muito mais modesto, próximo de 1%.

Ou seja: enquanto os partidos fazem campanha nas ilhas prometendo empregos para travar a emigração, o próprio mapa eleitoral mostra uma realidade difícil de esconder:
 Cabo Verde continua a produzir eleitores mais rapidamente no exterior do que internamente.

Praia continua gigante. São Vicente mantém peso decisivo

O concelho da Praia continua a concentrar o maior número de eleitores do país:

  • 93.248 inscritos.

Segue-se:

  • São Vicente — 54.980 eleitores;
  • Santa Catarina — 25.338;
  • Sal — 21.651.

Na prática, isso significa que:
 Santiago Sul e São Vicente continuam a ser os grandes centros de gravidade política nacional.

Não por acaso:

  • Santiago Sul elege 19 deputados;
  • Santiago Norte, 14;
  • São Vicente, 10.

Juntos, estes três círculos elegem praticamente metade da Assembleia Nacional.

 Como estão distribuídos os 72 deputados?

Os 72 deputados distribuem-se por 13 círculos eleitorais:

  • 10 nacionais;
  • 3 da diáspora.

A distribuição mantém-se igual à de 2021:

  • Santiago Sul — 19 deputados
  • Santiago Norte — 14
  • São Vicente — 10
  • Santo Antão — 6
  • Fogo — 5
  • Sal — 4
  • São Nicolau — 2
  • Boa Vista — 2
  • Maio — 2
  • Brava — 2

Na diáspora:

  • África — 2
  • América — 2
  • Europa e Resto do Mundo — 2.

O país eleitoral cresceu desde 2016

Comparando as últimas três legislativas:

  • 2016 — cerca de 340 mil eleitores;
  • 2021 — cerca de 393 mil;
  • 2026 — 419.755 inscritos.

Ou seja: em dez anos, Cabo Verde ganhou praticamente mais 80 mil eleitores registados.

Mas o crescimento não foi homogéneo.

Ilhas como: Sal, Boa Vista,  Praia, continuam a crescer eleitoralmente impulsionadas:

  • pelo turismo,
  • urbanização,
  • migração interna,
  • e crescimento económico.

Enquanto outras zonas apresentam crescimento muito mais lento ou estagnação demográfica.

A geografia eleitoral está lentamente a mudar

Os números mostram também uma transformação política silenciosa:
 a diáspora tornou-se eleitoralmente demasiado grande para continuar tratada apenas como apêndice político simbólico.

Hoje, os 72 mil eleitores no exterior representam:

  • mais do que vários círculos nacionais juntos;
  • e um eleitorado capaz de influenciar narrativas políticas nacionais.

Embora os círculos da diáspora continuem limitados a apenas seis deputados, o crescimento do recenseamento no exterior poderá inevitavelmente reabrir debates futuros sobre:

  • representação parlamentar,
  • equilíbrio eleitoral,
  • e peso político das comunidades emigradas.

 Mais eleitores… mas continua a dúvida sobre quantos vão votar

Apesar do crescimento do recenseamento, continua a existir uma pergunta central: quantos efetivamente irão às urnas?

Porque Cabo Verde convive há anos com níveis elevados de abstenção, sobretudo:

  • entre jovens,
  • emigrantes,
  • e eleitores urbanos desencantados.

Nas autárquicas de 2024, mais de metade dos eleitores não votaram em vários municípios.

E talvez essa continue a ser a maior incógnita destas legislativas:
o país tem mais eleitores do que nunca. Mas continua sem saber se os cidadãos ainda acreditam na política com o mesmo entusiasmo com que se inscrevem para votar.

NN

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