
Cabo Verde vai às urnas no domingo, 17, com 419.755 eleitores inscritos, segundo dados oficiais da Direção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) e da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
O número representa um crescimento de 6,82% relativamente às legislativas de 2021 — mais 26.802 eleitores — confirmando uma tendência que já se vinha desenhando nos últimos anos: o universo eleitoral cabo-verdiano continua a crescer… mas cresce cada vez mais fora do território nacional.
E talvez essa seja uma das mudanças políticas mais silenciosas da democracia cabo-verdiana.
A diáspora cresce mais rápido do que as ilhas
Segundo os dados oficiais:
O dado mais impressionante está precisamente fora do país: a diáspora cresceu cerca de 36,5% desde 2021.
Já o crescimento dentro do território nacional foi muito mais modesto, próximo de 1%.
Ou seja: enquanto os partidos fazem campanha nas ilhas prometendo empregos para travar a emigração, o próprio mapa eleitoral mostra uma realidade difícil de esconder:
Cabo Verde continua a produzir eleitores mais rapidamente no exterior do que internamente.
Praia continua gigante. São Vicente mantém peso decisivo
O concelho da Praia continua a concentrar o maior número de eleitores do país:
Segue-se:
Na prática, isso significa que:
Santiago Sul e São Vicente continuam a ser os grandes centros de gravidade política nacional.
Não por acaso:
Juntos, estes três círculos elegem praticamente metade da Assembleia Nacional.
Como estão distribuídos os 72 deputados?
Os 72 deputados distribuem-se por 13 círculos eleitorais:
A distribuição mantém-se igual à de 2021:
Na diáspora:
O país eleitoral cresceu desde 2016
Comparando as últimas três legislativas:
Ou seja: em dez anos, Cabo Verde ganhou praticamente mais 80 mil eleitores registados.
Mas o crescimento não foi homogéneo.
Ilhas como: Sal, Boa Vista, Praia, continuam a crescer eleitoralmente impulsionadas:
Enquanto outras zonas apresentam crescimento muito mais lento ou estagnação demográfica.
A geografia eleitoral está lentamente a mudar
Os números mostram também uma transformação política silenciosa:
a diáspora tornou-se eleitoralmente demasiado grande para continuar tratada apenas como apêndice político simbólico.
Hoje, os 72 mil eleitores no exterior representam:
Embora os círculos da diáspora continuem limitados a apenas seis deputados, o crescimento do recenseamento no exterior poderá inevitavelmente reabrir debates futuros sobre:
Mais eleitores… mas continua a dúvida sobre quantos vão votar
Apesar do crescimento do recenseamento, continua a existir uma pergunta central: quantos efetivamente irão às urnas?
Porque Cabo Verde convive há anos com níveis elevados de abstenção, sobretudo:
Nas autárquicas de 2024, mais de metade dos eleitores não votaram em vários municípios.
E talvez essa continue a ser a maior incógnita destas legislativas:
o país tem mais eleitores do que nunca. Mas continua sem saber se os cidadãos ainda acreditam na política com o mesmo entusiasmo com que se inscrevem para votar.
NN