SÃO VICENTE: Silêncio no bloco de partos: parte o Dr. Rosário, guardião de vidas e começos

5/05/2026 14:29 - Modificado em 5/05/2026 16:48

Há nomes que não precisam de apresentação — bastam as histórias que ficam. E em São Vicente, falar de nascimentos durante décadas foi, muitas vezes, falar de Pedro Carlos José do Rosário.

O **Dr. Rosário** partiu esta terça-feira, aos 92 anos, deixando atrás de si um rasto feito de primeiros choros, mãos firmes e decisões que, entre a urgência e o cuidado, ajudaram a escrever milhares de começos.

*O médico que acompanhou gerações**

Natural de São Filipe, na ilha do Fogo, onde nasceu a 2 de setembro de 1933, fez de São Vicente a sua casa profissional — e humana.

Durante largos anos, foi uma das referências incontornáveis do Hospital Dr. Baptista de Sousa, onde construiu uma reputação feita de rigor, exigência e um compromisso quase silencioso com a vida.

Não era médico de palavras fáceis. Era médico de presença.

Daqueles que entram na sala… e tudo se alinha.

O seu nome ficou ligado ao desenvolvimento do planeamento materno-infantil no Mindelo, numa altura em que falar de saúde reprodutiva era também abrir caminho onde quase não havia estrada.

Antes do bisturi, a bola

Mas antes das salas clínicas, houve relvados — ou o que deles existia na altura.

Na década de 50, o jovem Rosário cruzou-se com nomes como Sílvio Torres, Eurico Brito, José Manuel Morbey e António Cohen, numa geração em que o futebol era mais do que jogo — era encontro, identidade, pertença.

*Um nome que fica nas histórias que não se escrevem**

Há médicos que passam pelos hospitais.

E há médicos que ficam nas famílias.

O Dr. Rosário é desses.

Fica nas memórias de mães, nos relatos de avós, nas conversas onde alguém diz:

“foi ele que me trouxe ao mundo”.

E isso — em qualquer geografia — é uma forma rara de eternidade.

 **Última despedida**

O corpo estará esta quarta-feira, 6 de maio, numa agência funerária em São Vicente, com o funeral marcado para as 16 horas.

À família — esposa, filhas, neta — e a todos quantos cruzaram o seu caminho, fica um país em silêncio respeitoso.

Porque quando parte quem ajudou a nascer tantos,

não é só uma vida que se despede.

É uma história inteira que se inclina.

**Que a terra lhe seja leve.**

Eduino Santos 

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