Professores cabo-verdianos celebram o seu dia entre críticas ao PCFR e apelos à união da classe

23/04/2026 18:19 - Modificado em 23/04/2026 18:19

O Dia do Professor Cabo-verdiano, assinalado esta terça-feira, 23 de Abril, foi marcado por momentos de convívio, mas também por uma forte reflexão crítica sobre a situação actual da classe docente. Os sindicatos alertam que o novo Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR) continua aquém das expectativas.

Em declarações à Inforpress, o presidente do Sindicato Democrático dos Professores (Sindep), Jorge Cardoso, defendeu que a data deve ser encarada como um espaço de partilha entre docentes, mas também de análise dos desafios que persistem no sector.

“O 23 de Abril deve ser um dia de convívio, mas também de reflexão sobre os avanços e limitações da profissão”, afirmou, sublinhando problemas ligados à carreira, aos salários e às condições de trabalho.

O Sindep voltou a criticar o PCFR, considerando que o documento não trouxe melhorias estruturais para os professores, para além de ajustes salariais que, segundo a organização, resultam sobretudo da ausência de actualizações ao longo dos anos.

Jorge Cardoso foi mais longe ao afirmar que o novo modelo praticamente eliminou a progressão na carreira docente, prejudicando, em particular, os profissionais com mais tempo de serviço. Apontou ainda desigualdades salariais entre professores com e sem licenciatura.

Entre as principais preocupações estão também os atrasos no pagamento de retroactivos, incluindo subsídios relacionados com a não redução da carga horária, que afectam mais de mil docentes desde 2024. Persistem igualmente pendências ligadas a professores aposentados e à implementação do próprio PCFR.

Outro ponto destacado pelo Sindep prende-se com as desigualdades nas infra-estruturas escolares entre diferentes regiões do país, defendendo condições mais equilibradas para alunos e professores em todo o território nacional.

A saúde mental dos docentes foi igualmente abordada, com o sindicato a referir iniciativas de apoio psicológico e parcerias com clínicas para dar resposta a esta necessidade crescente.

Também a presidente do Sindicato dos Professores (Sindprof), Lígia Herbert, considerou que o Dia do Professor deve ir além das celebrações. “É um momento de reflexão sobre ganhos e perdas da classe. O professor é uma voz que ninguém pode silenciar”, afirmou.

A dirigente criticou igualmente o PCFR, apontando perdas para professores mais antigos, sobretudo no que diz respeito à progressão e à contagem do tempo de serviço após processos de reclassificação.

Lígia Herbert denunciou ainda falhas na implementação do regime das educadoras de infância por parte de algumas autarquias, que alegam falta de recursos financeiros. Referiu também atrasos em reclassificações, pagamentos de retroactivos e processos de aposentação, situações que, segundo disse, afectam a dignidade dos profissionais.

No caso dos docentes aposentados, destacou que a actualização salarial tem sido inferior à aplicada aos professores no activo.

Entre outras preocupações, apontou problemas nas infra-estruturas escolares em várias ilhas e criticou o actual modelo de agrupamento escolar, defendendo o regresso a estruturas mais próximas das comunidades.

“A criança deve permanecer na sua comunidade. Defendemos escolas com gestão própria e liceus com os seus directores”, afirmou.

A responsável denunciou ainda a existência de pressões sobre professores que expressam críticas, apelando a uma maior abertura ao diálogo por parte das autoridades educativas.

Apesar das dificuldades, tanto o Sindep como o Sindprof reforçam a necessidade de união entre os docentes e apelam a um maior engajamento na defesa dos seus direitos, sublinhando o papel essencial dos professores na construção de um sistema educativo de qualidade em Cabo Verde.

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