São Vicente reforça resposta à hemofilia com formação de profissionais de saúde

19/04/2026 13:50 - Modificado em 19/04/2026 13:50

A cidade de São Vicente acolheu, na passada sexta-feira, uma ação de formação dedicada à abordagem e ao impacto da hemofilia e de outras coagulopatias congénitas, promovida pela Associação Cabo-verdiana de Hemofilia, em parceria com o Hospital Batista de Sousa.

A iniciativa teve como principal objetivo capacitar os profissionais de saúde para uma melhor identificação, acompanhamento e tratamento destas doenças genéticas raras, que afetam a coagulação do sangue e podem provocar hemorragias internas e externas, muitas vezes com consequências graves.

Segundo a associação promotora, a formação assume particular relevância no contexto nacional, onde os enfermeiros são frequentemente os primeiros a prestar assistência aos doentes. “É fundamental que não sejam apenas os médicos a conhecer a doença. A experiência mostra que, nas estruturas onde os enfermeiros estão bem informados e preparados, a resposta aos pacientes é significativamente melhor”, destacou a organização.

A hemofilia exige uma abordagem multidisciplinar, uma vez que as complicações hemorrágicas podem afetar diferentes sistemas do organismo. O tratamento adequado e o acompanhamento regular são, por isso, essenciais para prevenir agravamentos e garantir uma melhor qualidade de vida aos doentes.

Em Cabo Verde, estão atualmente diagnosticadas 31 pessoas com hemofilia e outras coagulopatias congénitas, embora se estime que o número real possa rondar os 60 casos. Ainda assim, acredita-se que as situações mais graves já estejam identificadas e a ser seguidas pelos serviços de saúde.

A dispersão geográfica dos doentes, presentes em quase todas as ilhas do país, continua a ser um desafio, sobretudo para aqueles que residem em zonas mais remotas, onde o acesso aos cuidados especializados é mais limitado.

O diretor clínico do Hospital Batista de Sousa sublinhou a importância desta formação para melhorar a qualidade dos cuidados prestados. O objetivo, afirmou, passa por garantir “maior bem-estar e qualidade de vida no dia a dia dos doentes”, assegurando uma resposta mais eficaz e prevenindo complicações associadas a um manejo inadequado da doença.

Com esta iniciativa, os profissionais de saúde da instituição hospitalar ficam agora mais preparados para responder aos desafios do diagnóstico e tratamento destas patologias, reforçando a capacidade do sistema de saúde em dar uma resposta mais eficaz e humanizada aos doentes com doenças hereditárias.

NN/RCV

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.