A CVSky, começou ontem, 29 de março a assegurar as ligações entre as ilhas de Cabo Verde. Constituída como sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, tem o Estado de Cabo Verde como único acionista.

O arranque dos voos domésticos da companhia aérea CVSKY não começou bem, deixando dezenas de passageiros em São Vicente sem resposta e com compromissos comprometidos. O voo, desta segunda-feira, 30, programado para as 8h15 com destino à cidade da Praia sofreu sucessivos atrasos e, por volta das 12h, os passageiros foram informados, não pela companhia, que a partida só seria “provavelmente à noite”, sem qualquer previsão concreta de horário.
“É um verdadeiro caos. Perdi compromissos importantes e não há ninguém para nos ajudar”, desabafou uma passageira afectada. Sem representação da companhia no local, dezenas de passageiros ficaram entregues a si próprios, sem apoio, esclarecimentos ou garantias. A revolta foi crescendo ao longo das horas, à medida que aumentava a incerteza e o cansaço.
“Estamos há quatro horas sentado no aeroporto e ninguém nos diz nada. Não estamos a falar de um aeroporto pequeno. Isto é falta de respeito”, desabafou um dos passageiros, visivelmente indignado, que chegou no aeroporto Cesária Évora, ainda antes das 7 horas da manhã.
A ausência de assistência básica, incluindo alimentação, transporte ou alternativas de reencaminhamento, agravou ainda mais a situação. Muitos viajantes relataram ter sido chamados por altifalante sem qualquer clareza, enquanto outros permaneciam na sala de embarque sem saber se deveriam aguardar ou abandonar o local.
Entre os afetados está a equipa de Santo Antão, Os Sanjoanenes, que deveria seguir viagem para a Praia e daí apanhar um voo de ligação com destino ao Luxemburgo, onde participa num torneio internacional. Parte do grupo já viajou, mas vários elementos ficaram retidos em São Vicente.
Milton Reis, dirigente da equipa, não escondeu a frustração. “Estamos aqui desde as seis da manhã, sem qualquer informação. Temos um voo internacional à noite e corremos o risco de perder tudo. Isto é muito mais do que um atraso, é uma oportunidade que pode ser perdida para jovens atletas que tinham o sonho de representar o clube e o país.”
A situação torna-se ainda mais incompreensível para os passageiros ao saberem que, durante a manhã, houve um voo para a ilha do Sal com menos de 20 passageiros, enquanto dezenas aguardavam ligação para a Praia.
Sem respostas da CVSky, a única comunicação foi sendo feita por um funcionário do aeroporto, que, segundo os passageiros, também tinham pouca ou nenhuma informação concreta para transmitir.
Com esta situação os prejuízos acumulam-se: ligações internacionais em risco, compromissos falhados, custos adicionais com transporte e alimentação, e um sentimento generalizado de abandono.
“Não é só o atraso. É a forma como somos tratados. Sentimo-nos completamente abandonados”, resumiu outro passageiro.
A entrada em operação da CVSky, que prometia reforçar a conectividade entre as ilhas de Cabo Verde, começa assim sob fortes críticas, levantando sérias dúvidas sobre a capacidade operacional e o respeito pelos direitos dos passageiros.
Até ao momento, a companhia aérea não apresentou esclarecimentos públicos sobre os incidentes.
A companhia no seu comunicado, diz que foi criada para assegurar voos domésticos de passageiros e carga, que segundo refere, pretende reforçar a mobilidade interilhas com regularidade, pontualidade, continuidade e qualidade, no âmbito das obrigações de serviço público.
NN