
A UCID afirma que ao analisar a política de investimentos públicos e as infraestruturas realizadas em Cabo Verde nos últimos dez anos, há uma conclusão que se impõe com clareza. Houve investimentos, sim, mas faltou a visão estratégica, equilíbrio territorial, prioridade económica e sentido de urgência na resposta às reais necessidades das populações.
Por isso para a próxima sessão Ordinária da Assembleia Nacional, marcada entre 11 e 13 de março de 2026, a deputada Dora Pires, diz que o partido vai interpelar o Governo sobre a política de investimentos públicos e infraestruturas implementadas no país ao longo da última década.
A parlamentar considera que, apesar das várias obras realizadas, faltou visão estratégica, equilíbrio territorial e prioridade económica nos investimentos públicos feitos nos últimos dez anos.
Segundo a deputada, o Governo tem apresentado inaugurações e anúncios como prova de progresso, mas a questão essencial permanece: os investimentos transformaram realmente a vida dos cabo-verdianos?
Para a UCID, a resposta é clara: não na dimensão que o país esperava nem com a justiça territorial necessária.
Dora Pires reconhece que houve intervenções importantes em diferentes áreas, como portos, estradas, requalificação urbana, habitação, saneamento e equipamentos públicos, além de projetos recentes ligados à economia digital, economia azul e turismo. Vários municípios também beneficiaram de obras de reabilitação e melhoria das acessibilidades.
Ainda assim, a deputada defende que investimento público não pode ser confundido com propaganda. “Investir não é apenas gastar dinheiro do Estado ou inaugurar infraestruturas. É criar condições duradouras para o crescimento económico, mobilidade, acesso à água, habitação, saneamento, energia e emprego”, sustenta.
Na análise da UCID, a política de investimentos públicos ao longo da última década foi muitas vezes dispersa, fragmentada e dependente do calendário político.
De acordo com a deputada, registaram-se excessos de anúncios e promessas, enquanto várias obras chegaram tarde, tiveram custos elevados ou acabaram por não produzir o impacto económico esperado. “Em alguns casos, as prioridades nacionais foram substituídas por opções de conveniência política”, critica.
A UCID aponta ainda que o país continua a enfrentar problemas estruturais significativos, entre eles, défices persistentes de água e saneamento em várias ilhas, acessibilidades rodoviárias insuficientes em algumas localidades, infraestruturas portuárias e logísticas que ainda não respondem plenamente às necessidades da conectividade nacional, bairros degradados e pressão sobre a habitação e desigualdades territoriais entre ilhas
Para o partido, estas fragilidades demonstram que o problema não está apenas no volume de investimento, mas na forma como as prioridades foram definidas.
Perante este cenário, a UCID defende uma nova geração de investimento público baseada em cinco princípios fundamentais
Prioridade económica e social – investir no que melhora a vida das pessoas e fortalece a economia. Equidade territorial – garantir desenvolvimento equilibrado entre todas as ilhas. Transparência e avaliação – cada grande investimento deve ter metas, resultados e escrutínio público. Parcerias com o setor privado e municípios – o Estado não deve agir sozinho.
NN