
O Carnaval 2026 de São Vicente trouxe à avenida espetáculos que celebram a história e a cultura da ilha, com os grupos Cruzeiros do Norte e Flores do Mindelo a apresentarem desfiles de grande impacto visual e narrativo.
O grupo Cruzeiros do Norte cumpriu as expectativas e trouxe um desfile memorável com o enredo “História Dourada com Pedras Negras”, que percorreu a época do carvão e a transformação do Mindelo num porto de referência no Atlântico Médio.

A comissão de frente abriu o desfile com a recriação do tratado histórico entre Portugal e Inglaterra, simbolizando o acordo que possibilitou a instalação dos depósitos de carvão em São Vicente.
O primeiro sector destacou a origem e a exploração do carvão, com fantasias em tons negros e metálicos, refletindo a prosperidade gerada por estas “pedras negras”. O segundo sector em referência a chegada do consulado inglês.
O terceiro sector celebrou a intensa atividade do Porto Grande, evidenciando o ritmo acelerado do carregamento de navios e a força dos mineiros.
O desfile encerrou com o quarto sector, exaltando o Mindelo cosmopolita, boémio e sofisticado, num final de festa e emoção, reforçando a ambição do grupo em revalidar o título de campeão do carnaval.
O grupo Flores do Mindelo chegou à avenida com meia hora de atraso, numa referência simbólica à resiliência do grupo e da ilha após a tempestade Erin. O enredo celebrou o património cultural cabo-verdiano, numa viagem visual marcada pela história e pelas tradições de Mindelo.

A comissão de frente entrou trajada de malandros antigos, com coreografia inspirada nos antigos candeeiros, recriando o ambiente noturno do velho Mindelo. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, representou “O Guardião da Memória e da Cultura”, destacando Mindelo como capital cultural de Cabo Verde.
As alas exploraram o dia a dia antigo da cidade, homenageando desde os candeeiros artesanais e ferros de engomar a carvão até fogões a petróleo. A vida urbana e social foi evocada com alas como Monumento Poss e Ala Antiga.
O mar e a economia azul também tiveram espaço, assim como a Ala dos Emigrantes e a Ala das Peixeiras, homenageando tradições e figuras centrais da vida costeira. Os três carros alegóricos completaram a narrativa: o Poss, valorizando a identidade cultural; o Lembra Tempo – Nôs Praça, com músicos e bancos verdes; e o Capitania dos Portos – Museu do Mar, destacando pescadores e a tradição marítima.

NN