Carnaval de São Vicente menos grupos e menos foliões: Estão fora dos desfiles mais de 3.000 foliões que costumavam encher as ruas

16/02/2026 13:13 - Modificado em 16/02/2026 13:13

O Carnaval de São Vicente já está na rua, com desfiles de animação desde sexta-feira, mas o ambiente que se vive este ano no Mindelo está longe da habitual euforia. Em 2026, apenas dois grupos oficiais vão sair à rua no grande desfile de terça-feira, 17 de Fevereiro.

Cruzeiros do Norte, às 20h30, com o enredo “História dourada com pedras negras”, e Flores do Mindelo, às 19h30, com o tema “Mindelo é uma Flor que não murcha por ser resistente”.

Ficam de fora o Monte Sossego, vice-campeão em 2025, Estrela do Mar e Vindos do Oriente, por decisão das respetivas direções. Uma ausência que levanta uma questão. Onde estão os milhares de foliões que todos os anos davam vida à maior festa popular da ilha?

Mais de 3.000 foliões fora do desfile

Em 2025, cerca de 5.500 foliões participaram nos desfiles oficiais. Só o Monte Sossego levou para a rua 1.600 pessoas, distribuídas por 16 alas. O Cruzeiros do Norte contou com 1.200, o Vindos do Oriente com outros 1.200, o Flores do Mindelo com 700 e o Estrela do Mar com 800.

Este ano, com apenas dois grupos, a expectativa total ronda entre 2.000 e 2.200 foliões. O Cruzeiros do Norte deverá manter cerca de 1.200 participantes, enquanto o Flores do Mindelo prevê entre 800 e 1.000, um pequeno aumento em relação ao ano passado, que desfilou com 700. Ou seja, mais de 3.000 foliões ficam, aparentemente, fora do grande desfile.

A ausência destes milhares de participantes faz-se sentir no ambiente da cidade. “O Carnaval sem estes grupos perde alma. Falta gente, falta emoção, falta aquele mar de cores que sempre encheu as ruas”, lamentou Paula Monteiro.

A reportagem falou com alguns foliões dos três grupos ausentes. A maioria afirma manter-se fiel às suas agremiações e prefere não desfilar este ano a integrar outros grupos.

“Eu sou Monte Sossego desde criança. Não me vejo a sair noutro grupo, muito menos no Cruzeiros, que é o nosso maior rival”, conta um jovem dos chamados “Índios”. Outros partilham da mesma opinião: “O Carnaval para nós é identidade. Sem o nosso grupo, não é a mesma coisa.”

Alguns admitem que poderiam sair no Flores do Mindelo, mas dizem que “não é uma escolha natural” e que muitos optaram simplesmente por não desfilar. “Mais vale ficar a assistir do que vestir cores que não sentimos”, diz uma antiga integrante do Estrela do Mar.

Entre os poucos que decidiram juntar-se aos dois grupos em desfile, o sentimento é outro. “O Carnaval é festa. Não consigo imaginar ficar em casa na terça-feira”, afirma uma foliona agora integrada no Flores do Mindelo. Outro acrescenta: “Independentemente do grupo, o importante é manter viva a tradição.”

A ausência de três grupos deixa um vazio difícil de disfarçar, por mais que tentam passar a ideia de naturalidade. Com apenas dois desfiles oficiais, a qualidade e a diversidade do espetáculo tendem a ser menores, num ano que muitos já classificam como de retrocesso. “O Carnaval é cor, movimento, competição saudável. Com menos grupos, perde-se riqueza cultural e emoção”, afirmou Keila Silva, uma amante “doida” por carnaval.

Este cenário reflete-se também na menor expectativa sentida na cidade. O tempo frio que se faz sentir na ilha, neste mês de fevereiro parece combinar com o ambiente mais contido que se vive no Mindelo. Muitos mindelenses foram buscar casacos aos “baús”, enquanto turistas e emigrantes dos países frios apreciam as temperaturas mais baixas.

Preparativos continuam, apesar das dificuldades

Apesar do contexto menos favorável, os dois grupos garantem que tudo estão a fazer para apresentar um grande espetáculo.

“Estamos nos preparativos finais e confiantes. Tivemos momentos menos bons, mas já ultrapassados. Vamos levar um grande desfile ao povo de São Vicente”, assegura Jaílson Juff, presidente do Cruzeiros do Norte. O grupo contará com 1200 foliões, 17 alas, quatro carros alegóricos e várias surpresas.

Do lado do Flores do Mindelo, Eloísa Monteiro, da direção, refere que os trabalhos estão “a todo o vapor e a finalizar detalhes”. O grupo leva 10 alas, cerca de 800 a mil foliões, três carros alegóricos e um tripé, garantindo que “o desfile vai superar o do ano passado”.

Este ano, os grupos darão duas voltas ao percurso tradicional, regressando ao modelo antigo, e serão avaliados em três pontos de jurados, localizados na Rua de Lisboa, Avenida Baltazar Lopes (Ex Rua Machado) e Rua 5 de Julho.

Apesar do esforço dos grupos em desfile, a ausência massiva de foliões deixa um sinal claro de alerta sobre o futuro do Carnaval de São Vicente. A festa continua, mas com menos gente, menos cor e menos vibração.

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