
O Governo aprovou a Estratégia Nacional para Implementação da Tecnologia 5G para o período 2026-2036, num investimento estimado de três milhões de contos, e anunciou o arranque de experiências-piloto no primeiro semestre deste ano.
O anúncio foi feito hoje pelo vice-primeiro-ministro, ministro das Finanças e da Economia Digital, Olavo Correia, durante uma conferência de imprensa dedicada ao 5G e à criação da Semana do Digital de Cabo Verde, no Ministério das Finanças, na cidade da Praia.
Segundo o governante, as condições financeiras para a execução do plano já estão mobilizadas, sendo o 5G considerado uma infra-estrutura crítica para acelerar a transição digital do país, e uma “data marcante” para o território nacional.
Olavo Correia avançou que o projecto piloto arranca ainda este ano no TechPark da Praia, na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), em São Vicente, e no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal.
“Sem o digital essa ambição não será possível. O digital é um acelerador, um amplificador e um criador de oportunidades”, defendeu, realçando que a estratégia se insere na visão de posicionar Cabo Verde como uma nação digital, aberta ao mundo e capaz de aproveitar as oportunidades da economia global.
Neste contexto, a presidente do conselho de administração da Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME) garantiu hoje que os custos associados à implementação da tecnologia 5G não serão repassados ao consumidor, assegurando o equilíbrio entre sustentabilidade das operadoras e preços.
Leonilde dos Santos, falava durante a conferência de imprensa para apresentação da Estratégia Nacional para Implementação do 5G, horizonte 2026-2036, promovida pelo Governo, num investimento de cerca de três milhões de contos.
Segundo Leonilde dos Santos, a implantação do 5G vai além do aumento da velocidade da Internet, tratando-se de uma infra-estrutura estruturante que permitirá o desenvolvimento de novos serviços em áreas como saúde digital, educação à distância e outros sectores estratégicos.
A PCA da ARME reconheceu que persistem desafios ao nível das zonas remotas e consideradas “zonas sombra”, mas assegurou que a estratégia nacional prevê mecanismos específicos para reduzir as assimetrias no acesso à internet.
Entre as medidas apontadas estão a partilha de infra-estruturas entre operadores, incentivos ao investimento e soluções complementares de conectividade, incluindo redes terrestres e satelitais.
“Esta estratégia também determinou as zonas que são consideradas sombras, vai ser um trabalho conjunto também com os próprios operadores, com o Governo e com a entidade reguladora para que efectivamente a Internet chegue a toda a gente”, disse.
Leonilde dos Santos destacou a partilha de infra-estruturas como torres, postes e condutas como elemento central para reduzir custos, evitar duplicação de investimentos e criar economias de escala num mercado de pequena dimensão como o cabo-verdiano.
“Esta é a base dessa estratégia nacional, vai permitir reduzir as assimetrias e levar a Internet a mais pessoas”, garantiu, admitindo que o 5G implica investimentos significativos.
Esta responsável defendeu, no entanto, que o modelo da estratégia assegura retorno financeiro às operadoras, ao mesmo tempo que protege os consumidores.
“Vamos garantir que esses custos não sejam repassados ao consumidor”, reiterou, acrescentando que a implementação do 5G deverá contribuir para maior produtividade, inovação e crescimento económico do país.
Inforpress