Falta de verbas e lona degradada comprometem época 2026 do Boxe em São Vicente

8/02/2026 19:24 - Modificado em 8/02/2026 19:24
Imagem – Ilustração

O arranque da época desportiva de 2026 do boxe em São Vicente está seriamente ameaçado. A falta de transferência da segunda tranche da verba anual de 2025, por parte do Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ), aliada ao avançado estado de degradação da lona do ringue, está a travar o início das competições e a colocar em risco a segurança dos atletas.

Segundo o presidente da Associação de Boxe de São Vicente, Valdo Reis, a intenção era iniciar a nova época logo em janeiro, mas dois obstáculos intransponíveis impediram esse objetivo: a ausência de financiamento e a inexistência de condições mínimas no ringue para a prática da modalidade.

“O contrato-programa é dividido em duas tranches. Recebemos a primeira e justificámos todas as despesas, de forma transparente. Desde novembro que solicitamos a segunda tranche, mas nunca obtivemos qualquer resposta. Não temos dívidas, cumprimos todas as obrigações legais e administrativas, mas enfrentamos um silêncio total por parte do IDJ”, lamenta.

De acordo com o dirigente, a situação contrasta com o que aconteceu no ano passado, quando o processo decorreu de forma célere e eficaz. “Em 2025, tudo funcionou dentro da normalidade. Hoje, não sabemos o que mudou. Esse silêncio impede-nos de planear a época, organizar competições e preparar os atletas de forma adequada”, sublinha.

A falta de verbas agrava-se com o estado crítico da lona do ringue, considerada essencial para garantir a segurança dos praticantes. A lona encontra-se completamente degradada, apesar dos sucessivos pedidos de apoio feitos ao IDJ ao longo dos últimos dois anos. O custo de uma nova lona ronda os 400 euros, cerca de 40 mil escudos, um valor que a associação não consegue suportar sozinha.

“No último campeonato regional, tivemos de interromper combates porque a lona estava em péssimo estado. Recorremos à fita-cola para permitir a continuação das lutas. Já não é possível continuar a coser e a colar uma lona que não oferece condições mínimas de segurança”, explica Valdo Reis, alertando para o risco real de lesões graves.

O responsável recorda ainda que, numa reunião com o ministro do Desporto, foi garantido que a situação seria resolvida, nomeadamente através da aquisição de uma nova lona por intermédio do IDJ. No entanto, até ao momento, nada foi feito. “Disseram-nos que seria possível resolver o problema, mas não recebemos qualquer contacto, resposta ou solução concreta. Continuamos à espera”, afirma.

Apesar do apoio logístico da Câmara Municipal de São Vicente, que cede o espaço para treinos e competições, os recursos continuam a ser escassos. A associação sobrevive com apoios muito limitados e sem patrocinadores fixos, o que dificulta a manutenção regular da atividade, a organização de provas e a preparação dos atletas.

“Sem competições, não há evolução. No boxe, como noutras modalidades, não basta treinar. É fundamental competir para ganhar ritmo, experiência e motivação. Sem provas, os atletas perdem o estímulo e o nível competitivo, sobretudo os jovens, cadetes e juniores, que têm torneios nacionais pela frente”, alerta o dirigente.

Perante este cenário preocupante, a Associação de Boxe de São Vicente decidiu lançar um apelo público à solidariedade de antigos atletas, simpatizantes da modalidade e da sociedade civil, com o objetivo de angariar fundos para a compra urgente de uma nova lona.

“Face às nossas limitações financeiras, pedimos o apoio de todos para conseguirmos adquirir uma lona, que custa cerca de 400 euros. É um investimento essencial para garantir a segurança dos atletas e permitir o arranque da época”, reforça Valdo Reis.

Sem uma resposta célere do IDJ e sem a aquisição do material indispensável, a associação admite que não estão reunidas as condições mínimas para iniciar a época desportiva de 2026, o que poderá representar um sério retrocesso no desenvolvimento do boxe em São Vicente.

“Somos uma associação resiliente e continuaremos a lutar. Mas sem condições básicas, é impossível manter a modalidade ativa. O boxe em São Vicente não pode parar”, conclui.

Uma situação que expõe fragilidades no apoio ao desporto federado e levanta preocupações quanto ao futuro de uma modalidade que tem sido uma importante via de inclusão social, formação e afirmação de jovens talentos na ilha.

NN

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