
Foi inaugurada, na Zona Industrial de Lazareto, em São Vicente, a Fábrica Hygienus Industrial, um projeto que segundo Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, vai muito além da abertura formal de uma unidade industrial. “Não estamos aqui apenas para inaugurar esta fábrica, mas para reconhecer a vossa resiliência depois da Tempestade Érin”, afirmou, lembrando os estragos significativos causados pelo fenómeno climático em várias unidades comerciais, industriais e agrícolas do país.
Ulisses Correia e Silva destacou o esforço feito pelas próprias empresas e pelos seus trabalhadores na recuperação dos prejuízos, nomeadamente na remoção de lama, água e materiais irrecuperáveis. “Não cair, mas levantar-se de novo é o que importa”, frisou, assegurando que o Governo esteve e continua presente com medidas de apoio à recuperação, com o objetivo de reconstruir “mais forte e com mais resiliência”.
O Primeiro-Ministro reforçou ainda a importância estratégica do investimento industrial para Cabo Verde, salientando que a Zona Industrial de Lazareto se encontra em preparação para receber obras de melhoria da sua envolvente, criando melhores condições para o desenvolvimento económico.
Por sua vez, Paulo Vasco, responsável pela Hygienus Industrial, explicou que a fábrica iniciou operações em julho do ano passado, tendo sido forçada a interromper a atividade em agosto devido à tempestade. “Andámos cerca de quatro meses a limpar. Todas as máquinas estiveram debaixo de água”, revelou, acrescentando que a retoma foi feita gradualmente, máquina a máquina, a partir de dezembro.
Segundo o empresário, os prejuízos materiais diretos rondaram os 11 a 12 mil contos, mas o maior impacto foi o atraso na produção e na entrada no mercado, elevando as perdas globais para cerca de 25 a 30 mil contos, o equivalente a aproximadamente 1,3 milhões de euros. Apesar das dificuldades, a empresa manteve todos os postos de trabalho.
Atualmente, a fábrica conta com cerca de 30 trabalhadores, prevendo aumentar o quadro para 40 já em fevereiro e alcançar cerca de 70 colaboradores até ao final do ano, além de 25 na unidade do Sal. A Hygienus aposta fortemente na sustentabilidade ambiental, utilizando embalagens em papel biodegradável, inclusive para produtos como papel higiénico, guardanapos e outros artigos inovadores, como sacos de papel para uso marítimo.
Com ambições de exportação para Portugal, Dinamarca, Inglaterra e Estados Unidos, a Hygienus Industrial afirma-se como um projeto de referência na indústria cabo-verdiana, aliando inovação, responsabilidade ambiental e compromisso social.
NN