Requalificação de São Vicente arranca nos próximos dias com investimento de 3,5 milhões de contos

29/01/2026 09:50 - Modificado em 29/01/2026 09:52
São Vicente antes da passagem da tempestada Erin – 11 de agosto 2025

A requalificação de São Vicente, no âmbito da recuperação da ilha após a passagem da tempestade Erin, deverá ter início nos próximos dias e representa um investimento global de 3,5 milhões de contos. O projecto será implementado através de uma parceria entre quatro entidades: a Câmara Municipal de São Vicente (CMSV), a ENAPOR, as Estradas de Cabo Verde (ECV) e a Infraestruturas de Cabo Verde (ICV).

O projecto foi apresentado esta manhã na Câmara Municipal de São Vicente, ocasião em que foi igualmente assinado o contrato de empreitada, marcando o arranque da fase estrutural da intervenção.

Da emergência à reconstrução estrutural

O ministro das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, Victor Coutinho, sublinhou que este passo demonstra o sucesso da metodologia adoptada desde o início do processo de recuperação da ilha. Segundo o governante, após a resposta imediata e emergencial à tempestade, foi elaborada uma resolução estratégica que orienta todo o plano de recuperação.

O plano global ascende a quase 4 mil milhões de escudos, com um foco particular em São Vicente, que absorve cerca de 3,5 mil milhões. Numa fase inicial, foram mobilizados 1,2 mil milhões de escudos, seguindo-se agora a fase estrutural, com um investimento directo de 800 milhões de escudos, considerado o “grande projecto” desta intervenção.

Intervenção integrada e preventiva

A intervenção será feita de forma integrada, abrangendo áreas fundamentais como drenagem pluvial, esgotos, abastecimento de água e vias de comunicação. Está igualmente prevista a repavimentação das principais vias estruturantes, nomeadamente nas zonas da Ilha do Mineiro e Salamanca.

De acordo com o ministro, o objectivo é reconstruir melhor São Vicente, preparando a cidade para futuros eventos climáticos extremos, num contexto de alterações climáticas. “A prevenção é hoje uma missão essencial”, afirmou.

A empreitada será gerida num modelo de cofinanciamento e corresponsabilização entre os quatro parceiros. A ENAPOR ficará responsável pela requalificação da zona da Laginha, a ICV pela gestão global da obra e pelas intervenções de drenagem e esgotos, as Estradas de Cabo Verde pela reasfaltagem, e o município assumirá o papel de dono da obra e cofinanciador.

Obras complexas e apelo à compreensão da população

O projecto terá um cronograma rigoroso, com prioridade para as obras de drenagem antes do período das chuvas, seguindo-se posteriormente a repavimentação. Alguns equipamentos e materiais, como emissários de grande diâmetro, terão de ser adquiridos no exterior, o que exige uma logística cuidada.

Reconhecendo os constrangimentos que as obras irão causar, sobretudo numa zona urbana com forte dinâmica comercial, hoteleira e social, o ministro apelou à paciência e cooperação da população, assegurando que tudo será feito para minimizar os impactos.

Câmara garante cidade mais preparada e segura

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, destacou que, após as obras de emergência que permitiram repor a normalidade na cidade, este é agora um passo decisivo para a restauração estrutural de São Vicente.

As intervenções irão abranger sistemas de esgoto e drenagem em zonas críticas, com início previsto entre Chã de Alecrim e “Caisinho”, além de obras de asfaltagem em grande parte da cidade e intervenções estruturantes em Salamansa, Calhau e São Pedro. Estão igualmente previstas obras de drenagem na Bela Vista e a continuidade da requalificação da zona perto do Tribunal da Comarca,

Segundo o edil, esta é apenas a primeira fase de um processo mais amplo, estando já em preparação outros dossiês, como o projecto do Adérito Sena, que contará também com financiamento assegurado.

Com este investimento, as autoridades acreditam que São Vicente ficará mais resiliente, segura e preparada para enfrentar futuras intempéries, reforçando a qualidade urbana e a atractividade da ilha para residentes e visitantes.

NN

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