UCID desafia São Vicente a encarar a realidade e propõe Praça Cesária Évora no coração da ilha

23/01/2026 13:18 - Modificado em 23/01/2026 13:22

O líder da UCID, Anílton Andrade, usou da palavra no Salão Nobre Municipal para assinalar os 564 anos do município de São Vicente, num discurso que foi além da celebração simbólica e deixou fortes críticas à governação, bem como apelos claros ao envolvimento cívico dos munícipes.

Na sua intervenção, Andrade começou por saudar os São-Vicentinos, sublinhando que celebrar mais de cinco séculos de história é reconhecer a resiliência e o compromisso do povo da ilha ao longo de um percurso marcado por desafios e superações.

No entanto, advertiu que a comemoração não pode limitar-se aos atos protocolares. “Celebrar São Vicente exige olhar de frente para a realidade”, afirmou, apontando uma distância crescente entre o enorme potencial da ilha e as condições concretas de vida de muitos cidadãos. Entre os principais problemas, destacou a falta de saneamento básico em várias zonas, comunidades sem acessos dignos, crescimento urbano desorganizado, habitação precária e dificuldades enfrentadas pelos pequenos empresários para manterem os seus negócios.

A situação da juventude mereceu particular destaque. Para a UCID, os jovens representam um dos maiores ativos do município, mas continuam a sentir que o futuro passa por sair da ilha ou mesmo do país, devido à escassez de oportunidades reais de emprego e empreendedorismo.

Anílton Andrade defendeu políticas ativas de emprego e um forte apoio ao empreendedorismo jovem, articulando formação, mercado de trabalho e desenvolvimento económico local, como forma de construir uma juventude confiante, produtiva e comprometida com o futuro de São Vicente.

Segundo o dirigente da UCID, esta realidade não é fruto do acaso, mas sim de más opções políticas, falta de planeamento consistente e de uma governação que “anuncia mais do que executa”, tanto a nível nacional como local.

Dirigindo-se diretamente ao Primeiro-Ministro, Andrade afirmou que o povo de São Vicente “exige mais e melhor”, lembrando que, passados 564 anos do município, continua por cumprir a promessa feita em 2016 relativamente à regionalização. Para a UCID, respeitar as aspirações da ilha passa por avançar com maior autonomia e por um compromisso sério com o seu desenvolvimento.

No mesmo discurso, Anílton Andrade anunciou a intenção de submeter ao escrutínio público e aos órgãos competentes uma proposta de renomeação da atual Praça Dom Luís para Praça Cesária Évora. Localizada no coração da cidade, a praça passaria a homenagear aquela que é considerada unanimemente uma das maiores figuras da história cultural de Cabo Verde e um símbolo maior de São Vicente.

Segundo explicou, a iniciativa visa respeitar e valorizar a memória e o legado da “embaixadora” da cultura cabo-verdiana, reforçando a identidade coletiva e construindo uma narrativa urbana mais alinhada com os valores contemporâneos do país, enaltecendo figuras que elevaram Cabo Verde no mundo.

O discurso terminou com um apelo à participação ativa dos munícipes. “Envolvam-se, acompanhem e exijam”, declarou, sublinhando que São Vicente tem história, orgulho e, sobretudo, futuro.

NN

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