José Maria Neves apela à elevação democrática e à participação cívica consciente

14/01/2026 09:51 - Modificado em 14/01/2026 09:51

O Presidente da República afirmou esta terça-feira que a democracia cabo-verdiana “não foi outorgada, mas arduamente conquistada”, sublinhando a importância da elevação democrática e de uma participação cívica ampla, esclarecida e consciente por parte dos cidadãos.

José Maria Neves discursava na Assembleia Nacional, durante a sessão solene do 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e Democracia, data que marca os 35 anos da consolidação do regime democrático em Cabo Verde.

Na ocasião, o chefe de Estado destacou o carácter pacífico, sereno e exemplar da transição democrática do país, atribuindo esse percurso à maturidade cívica de um povo que soube transformar a palavra no seu principal instrumento de mudança.

Segundo o Presidente da República, datas como o 13 de Janeiro, o 20 de Janeiro e o 5 de Julho já fazem parte do património nacional e devem ser celebradas por todos os cabo-verdianos, dentro e fora do país, com elevação e dignidade. Nesse sentido, considerou inadequado que, a cada comemoração, os partidos políticos entrem em disputas sobre o significado ou a paternidade histórica desses marcos.

“A democracia não se resume ao confronto e ao desacordo. Ela constrói-se também através de entendimentos e consensos”, afirmou, defendendo que o adversário político deve ser reconhecido como parte legítima de um mesmo projeto nacional.

José Maria Neves reforçou que o Dia da Liberdade e Democracia não se limita à memória do passado, mas desafia o presente e projeta o futuro, lembrando que a democracia não se herda, pratica-se e vive-se diariamente.

Apelou, por isso, a um debate público centrado em ideias e propostas, capaz de gerar políticas públicas que sirvam efetivamente as pessoas e a coletividade, incentivando uma celebração marcada pelo orgulho patriótico e pela lealdade institucional.

O Presidente chamou ainda a atenção para o ano de 2026, em que o país realizará eleições legislativas e presidenciais, salientando que o voto representa a renovação do contrato de confiança entre os cidadãos e a Nação. Defendeu um processo eleitoral pacífico, transparente e inclusivo, alertando que a abstenção enfraquece a democracia, enquanto a participação a fortalece.

No seu discurso, alertou que a democracia vai além do ato de votar, concretizando-se na capacidade de transformar a liberdade política em dignidade humana, através do combate à pobreza, à desigualdade, da promoção da inclusão e da justiça social.

José Maria Neves sublinhou igualmente a necessidade de reforçar a confiança nas instituições, defendendo a transparência, a ética e a prestação de contas como pilares fundamentais da credibilidade democrática.

Por fim, deixou um apelo especial à atenção à juventude, em particular à Geração Z, defendendo a adaptação das instituições às novas formas de participação cívica e ao voto como instrumentos essenciais para uma democracia mais inclusiva e preparada para o futuro.

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