
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) criticou esta terça-feira a falta de previsibilidade nos transportes marítimos e aéreos em Cabo Verde, considerando que o sector tem sido gerido com soluções “reactivas, improvisadas e pouco sustentáveis”.
A posição foi partilhada com a imprensa pela deputada Dora Pires, na antevisão do debate parlamentar que arranca na quarta-feira, dia 07, com a presença do ministro dos Transportes, José Luís Sá Nogueira. A agenda inclui ainda uma interpelação ao Governo sobre a Política Nacional das Pescas.
Segundo a parlamentar, a UCID vai sublinhar no debate a inexistência de uma visão estratégica integrada para os transportes, que continuam a ser tratados como um problema conjuntural, resolvido pontualmente, em vez de um serviço público essencial ao desenvolvimento do país.
“No transporte marítimo de cabotagem persistem problemas de frota, gestão, manutenção e organização das rotas. No transporte aéreo, mantêm-se as incertezas quanto à estabilidade, regularidade e custos das ligações inter-ilhas”, afirmou Dora Pires.
De acordo com a deputada, estas fragilidades têm impactos directos na vida dos cidadãos, na actividade empresarial, no turismo interno, no escoamento de produtos e na competitividade das ilhas menos centrais.
“O país precisa de políticas de transporte que garantam previsibilidade, regularidade, segurança e preços justos. Precisa de um modelo que funcione não apenas no papel, mas na prática, todos os dias”, reforçou.
No que diz respeito à interpelação sobre a Política Nacional das Pescas, Dora Pires reconheceu o enorme potencial do sector para a criação de riqueza, emprego digno e desenvolvimento das comunidades costeiras, mas alertou para os “desafios profundos” que continuam a marcar esta área.
Segundo explicou, Cabo Verde ainda não conseguiu estruturar um sector das pescas forte, resiliente e competitivo, capaz de gerar valor acrescentado, reduzir a dependência externa e criar postos de trabalho estáveis e bem remunerados.
“O Governo tem optado, de forma recorrente, por apostar em acordos de pesca com países terceiros e com a União Europeia, em vez de criar condições estruturais para o fortalecimento da pesca nacional”, criticou.
Por isso, a UCID vai interpelar o Executivo para exigir maior clareza, resultados concretos e uma mudança de rumo num sector que, sublinhou a deputada, “não pode continuar a ser tratado como um parente pobre no país.