
O Banco de Cabo Verde (BCV) colocou na sexta-feira, 05 de novembro, em circulação uma moeda comemorativa de 500 escudos, alusiva ao quinquagésimo aniversário da instituição. A emissão marca “meio século de compromisso com a estabilidade macroeconómica”, afirmou o governador Óscar Santos, destacando que a iniciativa simboliza a preservação da memória coletiva e o reforço da identidade nacional.
Segundo Óscar Santos, a cunhagem da moeda insere-se numa tradição de celebração de acontecimentos de “relevante interesse público”, com valor histórico, cultural e simbólico para o país. A peça assinala os 50 anos do Banco Central, evocando o seu papel na estabilidade monetária, na inovação financeira e na promoção de políticas orientadas para a transparência, boa governação e desenvolvimento sustentável.
O governador destacou também algumas das principais transformações conduzidas pelo BCV nos últimos anos, com particular enfoque na modernização do sistema de pagamentos. Entre os avanços, mencionou a integração tecnológica das infraestruturas de liquidação e compensação, os esforços para reforçar a segurança das operações, e a preparação de um pacote legislativo que viabilizará a banca aberta (Open Banking), promovendo inovação, concorrência e melhores serviços aos clientes.
Outro eixo relevante é a criação do Sistema de Transferências Imediatas e Inclusivas, que deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2026. O novo mecanismo permitirá pagamentos instantâneos, mesmo sem acesso à internet, facilitando operações de pequenos negócios e transações quotidianas em todo o território nacional.
“É um sistema rápido, imediato e inclusivo”, sublinhou o governador, comparando-o ao PIX brasileiro. Trata-se, segundo afirmou, de um passo decisivo para reforçar a inclusão financeira, num país cuja taxa de bancarização ronda os 90%.
No horizonte da inovação monetária, Óscar Santos voltou a mencionar a possibilidade de criação de uma Moeda Digital do Banco Central (CBDC), prevista na nova proposta da Lei Orgânica do BCV. O instrumento, caso venha a ser emitido, funcionará como complemento ao dinheiro físico, reduzindo custos de transação e promovendo a digitalização dos serviços financeiros. O governador, no entanto, alertou que o processo exige estudos aprofundados, tendo em conta experiências internacionais que registaram desafios.
Outro tema destacado foi a crescente importância da gestão dos riscos climáticos no setor financeiro. O BCV tem vindo a integrar esses fatores nas suas missões de estabilidade financeira e de preços. Este ano, na sequência da tempestade Erin, que afetou várias ilhas, sobretudo São Vicente e os municípios do Norte, a instituição lançou um Programa de Assistência de Emergência para apoiar famílias, empresas e entidades impactadas, incluindo as indiretamente afetadas. O objetivo é acelerar a retoma económica nas zonas atingidas, com participação não apenas da banca comercial, mas também de instituições de microfinanças.
Sobre a aprovação da venda do Banco Comercial do Atlântico (BCA) ao grupo empresarial Corisbank, do Burkina Faso, Óscar Santos reafirmou que o BCV seguiu todos os procedimentos legais, tendo em conta que se trata do maior banco do país e, portanto, de um ativo sistémico.
“A nacionalidade do capital é irrelevante; o que importa é a sua residência e a capacidade de garantir estabilidade”, afirmou. Segundo o governador, o processo deverá estar concluído em janeiro de 2026 e poderá contribuir para o aumento da concorrência no setor financeiro cabo-verdiano.
Com a moeda comemorativa já em circulação e novos passos anunciados para a modernização do sistema financeiro, o Banco de Cabo Verde assinala os seus 50 anos projetando um futuro assente na inovação, estabilidade e inclusão económica.
NN