UTA assinala 6.º aniversário com conferência sobre segurança marítima em parceria com CEDEAO

6/12/2025 01:26 - Modificado em 6/12/2025 01:26

A Universidade Técnica do Atlântico (UTA) assinalou o seu sexto aniversário com a realização de uma conferência dedicada à segurança marítima, organizada em parceria com o Centro Multinacional de Coordenação Marítima da Zona G, estrutura da CEDEAO sediada em Cabo Verde. O encontro, realizado no Mindelo, São Vicente reuniu representantes da academia e dos principais operadores do setor marítimo, com o objetivo de discutir os desafios da formação e da proteção do espaço marítimo na sub-região.

O reitor da UTA, João do Monte Duarte, destacou que, apesar da instituição ter apenas seis anos no seu formato atual, carrega um legado de 42 anos de formação marítima herdado de estruturas anteriores, como o Centro de Formação Náutica, o ISEGMAR e a Faculdade de Engenharia e Ciências do Mar. “Essa experiência permitiu que Cabo Verde acolhesse uma das três academias de excelência da região para formação em segurança marítima, ao lado do Gana e da Costa do Marfim”.

A conferência contou com duas apresentações técnicas que serviram de base para um debate alargado entre docentes, autoridades marítimas e demais entidades do setor.

O objetivo, segundo o reitor, é recolher contributos que permitam ultrapassar os principais desafios que o país enfrenta na formação marítima. Entre eles, destaca-se a necessidade de atrair mais quadros especializados para a docência, uma vez que os cursos obedecem a normas e padrões internacionais que exigem certificações específicas. A UTA tem procurado reforçar essa capacidade através de parcerias internacionais, nomeadamente com a World Maritime University, da Suécia.

Outro desafio apontado por Monte Duarte é o da acreditação. Além das exigências da Agência Reguladora do Ensino Superior, os cursos ligados aos transportes marítimos requerem certificações internacionais, o que por vezes gera incompatibilidades entre exigências nacionais e internacionais. O reitor defende uma abordagem estratégica envolvendo o Governo, a administração marítima e a UTA para garantir a continuidade da qualidade formativa e manter Cabo Verde na lista branca da Organização Marítima Internacional (IMO).

No encontro, o major Sandro Batista, representante do Centro Multinacional de Coordenação Marítima, situou a conferência no contexto das celebrações dos 50 anos da CEDEAO, lembrando o compromisso da organização com a paz, a segurança e o desenvolvimento dos Estados-membros. Salientou que as ameaças no espaço marítimo — da pirataria ao tráfico ilícito, passando pela pesca ilegal — exigem respostas coordenadas e sustentadas. Nesse sentido, destacou o papel central do Centro Multinacional da Zona G na partilha de informações, no apoio operacional aos Estados costeiros e no reforço da cooperação regional.

O responsável sublinhou ainda que a conferência reflete o princípio orientador da CEDEAO, “uma CEDEAO para o povo”, centrado na melhoria da qualidade de vida e na proteção dos meios de subsistência das populações. A pesca ilegal, tema central das discussões, foi apontada como uma das principais ameaças à sustentabilidade dos mares e à segurança alimentar da África Ocidental.

A CEDEAO e o Centro Multinacional deixaram ainda palavras de reconhecimento à UTA pelo seu percurso e pelo contributo para a formação marítima na região, reforçando a importância da parceria nesta fase de consolidação e expansão da instituição.

NN

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.