
A Câmara Municipal de São Vicente (CMSV) e a Direção Executiva da Liga Independente dos Grupos Oficiais de Carnaval (LIGOC) reagiram esta terça-feira ao anúncio de quatro grupos – Monte Sossego, Vindos do Oriente, Samba Tropical e Estrela do Mar – que decidiram não participar nos desfiles oficiais do Carnaval 2026 e atribuíram à autarquia a responsabilidade pelo impasse.
O presidente da Câmara, Augusto Neves, classificou a decisão dos grupos como uma “instrumentalização política do Carnaval”, acusando dirigentes ligados ou próximos do PICV de transformarem um assunto cultural em “plataforma de disputa partidária”. Neves afirmou que a decisão surge num “tempo de pré-campanha” e não reflete a vontade da população.
Segundo a CMSV, muitos dos problemas apresentados pelos grupos são internos e não podem ser imputados à autarquia. Neves reforça que a ilha ainda se encontra sob estado de calamidade devido à tempestade Erin e considera “absurdo” exigir estudos de impacto económico, sedes, estaleiros imediatos ou subvenções extraordinárias neste contexto.
A Direção Executiva da LIGOC veio a público esclarecer que não subscreve a posição do Conselho Deliberativo e que este órgão “não tem funções executivas nem de representação institucional”.
Segundo os estatutos, citados por Marco Bento, qualquer deliberação deve ser submetida à Direção Executiva e, quando necessário, concertada com a Câmara.
A Direcção da LIGOC defende que ainda há espaço para diálogo e afirma que os grupos Cruzeiros do Norte e Flores de Mindelo, bem como qualquer outro que não se reveja na posição do Conselho Deliberativo, têm direito de desfilar.
Contudo, a postura do Conselho Deliberativo levou a Câmara a anunciar que está a “reavaliar seriamente” o protocolo assinado com a Liga em 2018.
A autarquia admite regressar ao modelo anterior, em que o Carnaval era organizado diretamente pela CMSV. Segundo Neves, tal cenário poderá significar a extinção da LIGOC por perda de propósito institucional.
O presidente reitera que “haverá Carnaval e haverá desfile oficial”, com ou sem a participação dos quatro grupos.
O edil Mindelense afirma que a Câmara não permitirá que “motivações políticas” prejudiquem um dos maiores eventos culturais do país e que o Carnaval continuará a ser preparado com segurança, logística, financiamento dentro da lei e promoção turística.
A LIGOC, por sua vez, apela à responsabilidade dos seus órgãos internos e defende que o foco deve permanecer na salvaguarda da cultura mindelense e na estabilidade institucional.
A Direção Executiva afirma estar comprometida em evitar ruturas e trabalhar para um entendimento que garanta “um Carnaval à altura da história e do povo de São Vicente”.
NN