No total, as penas aplicadas variam entre 3 e 20 anos de prisão.

O Tribunal da Comarca de São Vicente proferiu hoje, 14 novembro, a sentença do processo conhecido como Operação Epicentro, que investigou um vasto esquema de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de capitais na ilha. Dos 27 arguidos, 14 receberam penas de prisão efetiva e os restantes ficaram com penas suspensas ou foram absolvidos.
Após mais de cinco horas de leitura do acórdão, o coletivo de juízes, presidido pela magistrada Adalgiza dos Santos, ordenou ainda a prisão preventiva de mais seis arguidos, que se juntam aos quatro que já estavam detidos desde fases anteriores do processo.
O arguido apontado como líder do grupo, Odair dos Santos, conhecido por “Chejon”, foi condenado a 20 anos de prisão. A sua esposa, Naila dos Santos, recebeu uma pena de 16 anos. Já o considerado braço direito de “Cedjôn”, Malik Lopes, foi sentenciado a 14 anos de prisão.
O advogado Dith Mar Lima, apontado pelo tribunal como colaborador da organização criminosa, foi condenado a 12 anos de prisão pelos crimes de associação criminosa e lavagem de capitais. Outros três arguidos do núcleo central receberam penas de 10 e 12 anos.
À saída da audiência, um dos advogados da defesa classificou as decisões como “penas excessivas” e afirmou que o acórdão representa “a maior injustiça da história de Cabo Verde”.
O advogado Gilson Cardoso, que representa Odair dos Santos e Malik Lopes, questionou ainda a alteração das medidas de coação e criticou a permanência da juíza presidente no processo, apesar de um pedido de afastamento pendente. Segundo a defesa, vários arguidos estiveram mais de 17 meses em prisão preventiva sem decisão de recursos relacionados.
Cardoso alegou que “nenhum dos principais crimes ficou provado”, sublinhando que “não foi apreendida qualquer quantidade de droga” relacionada aos seus constituintes. Garantiu que a defesa irá interpor recurso e apresentar habeas corpus nas próximas horas.
A Operação Epicentro foi desencadeada em junho de 2024, quando a Polícia Judiciária realizou um cerco ao bairro de Campim e cumpriu mandados de busca e detenção em várias zonas de Mindelo. A investigação, considerada uma das mais relevantes no combate ao tráfico de drogas em São Vicente, levou ao desmantelamento de um alegado circuito organizado de introdução de estupefacientes na ilha.
O julgamento arrancou em 22 de setembro e contou com mais de uma centena de testemunhas, algumas ouvidas por videoconferência e outras através de depoimentos lidos em Audiência Contraditória Preliminar.
Os advogados têm agora 20 dias para apresentar recurso.
NN