Cabo Verde debate futuro da pesca e aquacultura: rumo às estratégias 2026–2036

5/11/2025 23:06 - Modificado em 5/11/2025 23:06

O Primeiro Congresso Nacional do Setor das Pescas e Aquacultura arrancou esta quarta-feira e acontece até amanhã, 06, reunindo em São Vicente representantes do governo, associações, universidades, técnicos e pescadores para definir as estratégias do setor para a próxima década. O encontro, que decorre até amanhã, encerra um processo iniciado em julho, com jornadas preparatórias realizadas em Porto Novo, São Vicente e Praia.

Segundo o vice-presidente da APESC, Suzano Vicente, o congresso marca a fase final de um processo participativo que recolheu contribuições em todo o país.

“Hoje e amanhã estamos a sistematizar todas as contribuições recolhidas, com o objetivo de formalizar o documento estratégico do setor das pescas 2026–2036”, explicou.

O dirigente sublinha que o processo pretende inverter a lógica habitual das políticas públicas, dando voz à base:

“Durante muito tempo, as políticas foram impostas de cima para baixo. Agora queremos trabalhar da base para o topo. São os pescadores, armadores, peixeiras, técnicos e universidades que vivem o setor no terreno. É deles que devem partir as prioridades.”

Para Suzano Vicente, a expectativa é que o documento final traduza o “pulsar real do setor” e que as autoridades assumam o compromisso moral de integrar essas propostas nas políticas nacionais.

Entre as estratégias defendidas pela APESC, destaca-se o aumento da capacidade operacional da frota, com navios capazes de operar em toda a zona económica exclusiva, libertando espaço para a pesca artesanal e de pequena escala.

“Cabo Verde precisa de navios industriais próprios, capazes de pescar nas mesmas áreas onde operam embarcações estrangeiras”, salientou.

Governo destaca importância económica e desafios ambientais

O diretor nacional das Pescas, Carlos Monteiro, classificou o setor como “um dos motores do desenvolvimento nacional”, lembrando que representa 80% das exportações do país e cerca de 19% do PIB da economia do mar.

Contudo, alertou para os desafios crescentes da sobrepesca e das alterações climáticas.

“Alguns recursos já estão no limite da captura sustentável. Precisamos diversificar espécies, explorar novas áreas de pesca e apostar na valorização da cadeia produtiva”, afirmou.

Monteiro defendeu ainda uma mudança de mentalidade e maior investimento em ciência e capacitação técnica.

“A pesca artesanal precisa modernizar-se para ser mais eficiente e competitiva. Já a pesca industrial deve apostar em frota moderna e infraestruturas de apoio que aumentem a capacidade de captura e abastecimento das indústrias de transformação.”

Monteiro acredita que o congresso será uma oportunidade para consolidar parcerias e reforçar o compromisso com um desenvolvimento sustentável, económico e social do setor.

“O caminho passa pela modernização, pela ciência e por uma pesca responsável. Só assim Cabo Verde poderá tirar o máximo proveito do seu maior recurso: o mar.”

NN

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