A Resolução n.º 110/2025, recentemente republicada pelo Governo de Cabo Verde, autoriza o Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação (MIOTH) a avançar com a execução do Plano Estratégico de Resposta e Recuperação (PERR), destinado a repor serviços essenciais e reabilitar infraestruturas danificadas pelas fortes chuvas de 11 de agosto de 2025.
O montante aprovado é de 914,7 milhões de escudos , 8, 3 milhões deeuros, (mais IVA),( financiado pelo Banco Mundial, através do Cat-DDO — um mecanismo internacional de apoio financeiro a países afetados por desastres naturais. As intervenções prioritárias contemplam as ilhas de São Vicente, Santo Antão e São Nicolau, as mais afetadas, e incluem a criação de um gabinete de execução que operará sob coordenação direta do MIOTH, garantindo articulação com as autarquias locais.
Análise e Impacto na Sociedade Cabo-Verdiana
Resposta imediata e estruturada a uma calamidade
O plano representa uma reação institucional rápida e organizada à destruição provocada pelas chuvas, sinalizando uma capacidade crescente do Estado em gerir emergências climáticas de forma planeada e com financiamento externo sólido.
Reflexo da confiança internacional
O recurso ao Cat-DDO do Banco Mundial mostra confiança na gestão financeira e técnica de Cabo Verde. A utilização deste fundo reforça a credibilidade do país junto de parceiros internacionais e cria precedentes positivos para futuros apoios.
Impacto direto nas populações afetadas
As ações previstas — reabilitação de estradas, pontes, habitações e redes de abastecimento de água e energia — terão um impacto social imediato, restaurando condições básicas de vida e de mobilidade, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis.
Efeito económico e de emprego
A execução do plano poderá gerar emprego temporário no setor das obras públicas e estimular a economia local, particularmente em ilhas como São Vicente e Santo Antão, onde a reconstrução exigirá mão de obra diversificada.
Desafio da execução e da transparência
O sucesso dependerá da eficiência do gabinete de execução e da transparência na aplicação dos recursos. Cabo Verde tem histórico de boa gestão de fundos internacionais, mas a monitorização pública e comunitária será crucial para garantir resultados tangíveis.
Sinal de adaptação às mudanças climáticas
Mais do que uma resposta pontual, a resolução evidencia que o país começa a integrar políticas de resiliência climática — passo essencial num arquipélago cada vez mais exposto a eventos extremos.
Conclusão
A republicação da Resolução n.º 110/2025 não é apenas um ato administrativo: é um gesto político e estratégico que reafirma o compromisso do Governo com a reconstrução e a resiliência nacional. O impacto real dependerá da execução eficaz e participativa do plano, mas o sinal é claro — Cabo Verde está a aprender a reagir com responsabilidade e visão às adversidades climáticas, fortalecendo tanto as suas infraestruturas como a confiança dos cidadãos nas instituições.