Só é cabo-verdiano quem escolhe ser cabo-verdiano

13/10/2025 23:54 - Modificado em 14/10/2025 13:14
Foto FIFA – Roberto Lopes e Deroy Duarte celebrando a qualificação para o Mundial 2026 FIFA 13-10- 2025

Hoje, Cabo Verde faz história. O apito final do árbitro ecoou como um grito de alma: estamos no Mundial! Um feito que antes nem sonho mas que foi conquistado por um grupo de jovens que, em muitos casos, nem nasceram nas nossas ilhas, mas que escolheram ser cabo-verdianos — e isso faz toda a diferença.

Durante anos, vimos jogadores de renome mundial com raízes cabo-verdianas optarem por vestir outras camisolas. Nani, Renato Sanches, Nuno Mendes, Rolando, Nélson Semedo, entre tantos outros, têm em comum o sangue das ilhas, mas escolheram outros destinos. Inclusive Cristiano Ronaldo que tem uma bisavó cabo-verdiana.

E é legítimo. O que não se pode negar é que ser cabo-verdiano vai muito além da certidão de nascimento ou da árvore genealógica. Ser cabo-verdiano é um ato de escolha, de pertença, de fé num país que, apesar das suas limitações, carrega um orgulho e uma dignidade imensos.

Hoje, a história dá uma volta bonita. Um grupo de jovens que nasceram em Cabo Verde,  Holanda, em Portugal, na França, na Irlanda — filhos da diáspora — decidiram olhar para as suas origens e fazer diferente. Quando a Federação Cabo-verdiana de Futebol saiu em busca desses talentos, muitos poderiam ter recusado, alegando comodidade, estatuto ou ambição. Mas não: disseram “sim” ao apelo da bandeira azul, à morabeza, ao hino, às nossas ilhas. E com esse “sim”, colocaram Cabo Verde no mapa do futebol mundial.

Que este exemplo sirva de inspiração a todos os jovens talentos de origem cabo-verdiana espalhados pelo mundo. Que sintam o orgulho e a responsabilidade de vestir a camisola azul, de cantar o hino com emoção, de fazer parte de um povo que nunca desiste. A verdadeira riqueza de Cabo Verde não está nas condições que o país oferece, nem no dinheiro que se pode ganhar. Está na alma do seu povo, na sua capacidade de sonhar, lutar e vencer.

Hoje, mostramos, mais uma vez,ao mundo que a pobreza não é uma fatalidade. Que o tamanho das ilhas não define a grandeza do seu povo. E que, no fim, só é verdadeiramente cabo-verdiano quem escolhe ser — com o coração, com a alma e com o orgulho de carregar esta bandeira onde quer que vá.

Eduíno Santos

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