Augusto Neves garante: “Vai haver Carnaval em 2026. O Carnaval é do povo, não de três ou quatro pessoas”

13/10/2025 12:50 - Modificado em 13/10/2025 12:50

O presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, reagiu à posição pública de alguns grupos carnavalescos, Monte Sossego, Estrela do Mar, Vindos do Oriente e Samba Tropical, que alertaram para a não participação no Carnaval de 2026 devido à falta de condições.

Em conferência de imprensa, Augusto Neves garantiu que o Carnaval de São Vicente vai acontecer em fevereiro de 2026, sublinhando que “quem faz o Carnaval é o povo desta ilha” e que o evento não depende exclusivamente dos grupos oficiais.

“O Carnaval é feito pelo povo de São Vicente, com o apoio da Câmara Municipal, do Governo, das instituições públicas e privadas e dos particulares. Todas as entidades envolvidas são importantes, mas ninguém tem o direito de decidir sozinho se há ou não há Carnaval”, afirmou.

O autarca lembrou que a ilha enfrenta uma situação difícil após as fortes chuvas de 11 de agosto, que causaram danos significativos em habitações, infraestruturas e equipamentos públicos, deixando dezenas de famílias em situação de vulnerabilidade.

“O Governo declarou o estado de calamidade na ilha. A nossa prioridade imediata tem de ser a recuperação das zonas afetadas e o apoio às famílias atingidas”, explicou, apelando à compreensão e solidariedade de todos os envolvidos no Carnaval.
Augusto Neves recordou que, apesar das dificuldades, a Câmara tem aumentado o apoio financeiro aos grupos oficiais.
Em 2025, cada grupo recebeu 4 milhões de escudos, totalizando 24 milhões de escudos, além dos recursos provenientes dos bilhetes das bancadas, usados na viagem ao Rio de Janeiro para troca de experiências com as ligas LIGOC e LIESA.

O presidente destacou ainda o novo projeto de estaleiro que será construído na Ribeira de Vinha, com o apoio financeiro do Governo, depois da recusa anterior dos grupos em utilizar os estaleiros da Ribeira da Craquinha, por considerarem a zona “muito longe”.

Neves criticou o que classificou como “chantagem e oportunismo político” de alguns dirigentes carnavalescos, que, segundo ele, estariam a aproveitar um momento de fragilidade da ilha para reivindicações.

“É uma vergonha usar a calamidade e a solidariedade do povo para chantagem. Carnaval é sacrifício, é esforço e voluntarismo, não é interesse partidário ou pessoal”, afirmou.

O autarca frisou que a Câmara Municipal continua aberta ao diálogo com a LIGOC e os grupos oficiais, mas “cada coisa tem o seu momento”.

“Não é durante o Festival da Baía das Gatas ou logo após as chuvas que vamos convocar reuniões de emergência sobre Carnaval. São Vicente tem uma agenda cultural intensa, e cada evento tem o seu tempo”, sublinhou.

Augusto Neves garantiu que os preparativos para o Carnaval 2026 serão retomados “no momento próprio”, com o início dos contactos com patrocinadores e instituições financiadoras.

“Haverá Carnaval em 2026, sim. O Carnaval de São Vicente não depende de três ou quatro pessoas. Depende do povo e de todos aqueles que amam esta festa. Cada um deve assumir a sua parte e trabalhar para que o Carnaval continue a ser o maior símbolo da nossa identidade”, concluiu.

NN

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