
Criada a 28 de setembro de 2008, a Sala de Recursos da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI) em São Vicente assinala 17 anos de existência, com um percurso marcado pela luta em prol da inclusão de crianças, jovens e adolescentes com necessidades educativas especiais em todos os níveis de ensino — do pré-escolar ao superior.
Segundo o coordenador da Sala, Jeremias Fernandes, “o grande papel tem sido trabalhar para que nenhum aluno fique de fora, independentemente das suas limitações”. Desde 2018, com a entrada em vigor do sistema de sinalização, já foram identificados 811 alunos com necessidades educativas especiais em São Vicente, sendo a maioria rapazes.
“Não temos ainda dados científicos que expliquem essa diferença, mas percebemos que a maioria dos alunos sinalizados são meninos”, explicou.
Ao longo dos anos, a Sala de Recursos tem acompanhado milhares de alunos. Muitos chegam ao ensino superior graças ao apoio do sistema inclusivo e também à Portaria nº 27/2018, que garante gratuidade da educação para pessoas com deficiência, do pré-escolar ao doutoramento.
Hoje, além das escolas e universidades, o trabalho avança também para a integração no mercado laboral. Está em preparação, para 2026, o projeto “Laboratório Inclusivo”, que prevê cursos técnicos e profissionais adaptados a jovens que não conseguem prosseguir estudos universitários. Algumas empresas locais já manifestaram disponibilidade para acolher estes alunos.
O maior desafio, segundo Fernandes, é dar resposta à crescente procura. “Todos os anos recebemos novos alunos e temos de ajustar os serviços. É preciso capacitar professores, adaptar provas finais e assegurar que todos os planos educativos individuais (PEI) sejam atualizados”, sublinhou.
Outro avanço recente é a integração dos alunos com necessidades especiais no sistema NENO-SIS, o Sistema Integrado de Gestão Escolar, o que exige mais formação e acompanhamento junto dos docentes.
As celebrações incluem um fórum que pretende avaliar os progressos e perspetivar o futuro. “Queremos mostrar de onde partimos, o que conseguimos até agora e o que falta fazer. De 2008 a 2018 trabalhámos numa lógica de sala de recursos, e a partir de 2018 passámos a atuar com base no sistema de sinalização da EMAEI. O apoio dos pais tem sido fundamental para o sucesso dos alunos”, reforçou o coordenador.
Para Fernandes, o trabalho de inclusão “é transversal e só é possível com a colaboração da comunidade educativa, das famílias e das empresas”.
NN