PAICV acusa Câmara de São Vicente de incapacidade na limpeza e resposta à calamidade de agosto

9/09/2025 16:45 - Modificado em 9/09/2025 16:45

A Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente voltou a criticar a atuação da Câmara Municipal (CMSV), acusando a autarquia de inépcia e falta de capacidade na limpeza da cidade e na resposta à calamidade provocada pelas chuvas torrenciais de 11 de agosto.

Em conferência de imprensa, o presidente da estrutura local do partido, Adilson Graça Jesus, recordou que já no dia 30 de julho o PAICV tinha alertado para os riscos existentes na ilha, caso se confirmassem chuvas intensas, nomeadamente o assoreamento dos diques, ribeiras obstruídas, esgotos a céu aberto e falhas no sistema de recolha de lixo.

Segundo o dirigente, um mês após a tragédia, “a Câmara continua incapaz de assegurar a limpeza do centro da cidade e a resolução do grave problema dos esgotos a céu aberto”. Apontou ainda como exemplo o recente alagamento do parque de estacionamento da ENAPOR, que classificou como “demonstração clara da ineficácia da autarquia”.

O PAICV acusa a CMSV, liderada por Augusto Neves há 15 anos e suportada pelo MpD há 21, de não dispor de maquinaria adequada nem de organização para responder às necessidades da população. “O presidente falou em 2.500 funcionários nas ruas, mas ninguém os viu. A primeira limpeza foi feita pela população, pelas Forças Armadas e com a ajuda de empresas privadas”, frisou.

Para o partido, a acumulação de esgotos, lamas e entulhos, bem como águas estagnadas em zonas como Dji d’Sal e estrada Cidade–São Pedro, representam riscos sérios para a saúde pública, nomeadamente pela proliferação de mosquitos.

Adilson Graça Jesus sublinha que “muitos dos constrangimentos poderiam ter sido evitados se houvesse trabalho contínuo de limpeza de ribeiras, desentupimento da rede de esgotos e fiscalização”.

O dirigente político acusa ainda a liderança municipal de não ter apresentado, ao longo dos últimos 15 anos, uma política pública estruturada para responder aos problemas da ilha. “Não há uma estratégia de desenvolvimento para São Vicente, nem uma visão transformadora”, afirmou.

O PAICV conclui pedindo a Augusto Neves que se afaste, caso não consiga corresponder às expectativas da população. “As famílias, as empresas e a sociedade têm pressa em ver soluções. Se o presidente não consegue dar respostas, que dê espaço a quem consiga imprimir um ritmo e uma vontade diferente”, defendeu Adilson Graça Jesus.

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