
A localidade de Txon D’Holanda, zona agrícola de São Vicente, enfrenta prejuízos significativos após uma tempestade que destruiu tubagens de irrigação, hortas e culturas agrícolas, deixando muitos agricultores desanimados e sem recursos para recomeçar. A falta de água para rega agrava a situação.
José Pinto, porta-voz da comunidade, relatou que as tubagens responsáveis pelo abastecimento de água para irrigação foram severamente danificadas, comprometendo a sobrevivência de culturas como coentro, beterraba, papaia e cana-de-açúcar, que estavam prontas para colheita.
“Foram muitos prejuízos, principalmente com as tubagens que levam água para a agricultura. Hortas completamente danificadas e sem tubos que levam a água de rega. Várias culturas foram perdidas”, lamentou Pinto.
A ausência de água para irrigação é o maior obstáculo no momento. Segundo Pinto, algumas culturas de abóbora, papaeiras, coqueiros, poderiam ser recuperadas com o restabelecimento da irrigação. “Se houvesse água para rega, muito do que restou poderia ser salvo, evitando começar do zero”, afirmou.
No entanto, a localidade ainda não recebeu a água necessária, apesar de esforços comunitários para reparar tubos e da informação de que as máquinas de bombeamento da ETAR já estariam prontas.Muitos agricultores enfrentam a dura realidade de recomeçar do zero. “Há muitos que infelizmente vão ter que começar do zero”, destacou Pinto.
A situação é especialmente grave para aqueles que arrendavam hortas em áreas localizada a ribeiras, onde a força das águas arrasou toda a produção. Além das perdas materiais, o impacto psicológico é evidente. “Muitos agricultores estão muito desanimados. Há pessoas com intenção de desistir, pois os prejuízos são avultados, e recomeçar exige muito dinheiro”, relatou.
Apesar das dificuldades, alguns agricultores, incluindo Pinto, começaram a reparar os danos e preparar suas parcelas para quando a água chegar. “No meu caso, já iniciei as reparações e estou a preparar para o momento da chegada da água”, disse.
No entanto, a demora no restabelecimento da irrigação continua a prejudicar a recuperação. Até mesmo o pasto para os animais foi levado pelas águas, afetando a pecuária local. Recentemente, foi realizado um levantamento para coleta de documentos, mas as informações sobre auxílios ainda são escassas, conforme este porta-voz.
O governo anunciou o Rendimento Solidário de Emergência, que prevê 30 mil escudos mensais por três meses para operadores de feiras, mercados, pesca, agricultura e pecuária afetados pela tempestade. Contudo, a implementação do programa ainda não trouxe alívio imediato para a comunidade.
A principal demanda de José Pinto é clara. “Eu só peço que nos enviem a água o mais rápido possível, porque aquela água nos ajuda a dar continuidade à atividade e recuperar o pouco que ficou”, apelou.
Enquanto a água não chega, os agricultores de Txon D’Holanda seguem lutando para superar os prejuízos e retomar o quanto antes as suas atividades.
AC – Estagiária