São Vicente: “As pessoas também precisam de mais apoio psicológico, no pós-tempestade” – Psicóloga

25/08/2025 22:42 - Modificado em 25/08/2025 22:42
Christie Wahnon – Psicóloga clínica e da saúde

A tempestade que assolou São Vicente no dia 11 de agosto deixou marcas profundas, não apenas na infraestrutura, mas na saúde mental da população. Perdas de entes queridos, casas, empresas e sonhos abalaram a ilha, e a psicóloga Christie Wahnon alerta para a necessidade urgente de mais apoio psicológico para mitigar os impactos a médio e longo prazo.

Em entrevista ao Notícias do Norte, Christie Wahnon destacou a gravidade do impacto psicológico causado pela tempestade que atingiu São Vicente. “As pessoas estão a precisar de apoio psicológico. Não é preciso estar no terreno para perceber que isso é uma necessidade primordial”, afirmou.

Segundo a profissional, situações de calamidade, como a vivida no dia 11, alteram rotinas, destroem planos e geram traumas profundos. “Perde-se entes queridos, bens materiais, habitações, empresas. Sonhos e investimentos, tanto financeiros quanto emocionais, vão por água abaixo”, explicou.

O impacto psicológico, conforme Wahnon, não se limita ao momento da catástrofe. “A médio e longo prazo, acredito que haverá consequências psicológicas, financeiras e comportamentais”, alertou, reforçando que o trauma inicial pode evoluir para problemas mais duradouros se não for tratado adequadamente.

A resposta imediata e estruturada, com apoio psicológico efetivo, pode reduzir esses danos, mas a especialista reconhece que algum nível de consequência é inevitável devido à natureza traumatizante do evento.

Para enfrentar essa crise, a Delegacia de Saúde de São Vicente já disponibilizou psicólogos e assistentes sociais para atuar no terreno. Contudo, Wahnon enfatiza a necessidade de reforços. “É preciso trazer psicólogos de outras ilhas, dada a situação extraordinária. Precisamos de mais técnicos de saúde mental e equipamentos para dar uma resposta rápida”, disse.

A psicóloga sugere a criação de estruturas temporárias, como tendas nas comunidades, para facilitar o acesso ao atendimento psicológico, especialmente enquanto o ambiente ainda se recupera.

No geral, Wahnon também aponta para um aumento significativo na procura por ajuda mental após a catástrofe, mas destaca que as necessidades vão além de moradia e alimentação. “As pessoas não precisam somente de habitação e comida, mas também de suporte psicológico”, afirmou.

Esta profissional da saúde defende a desmistificação da saúde mental, um tema que, segundo a entrevistada, merece atenção contínua, não apenas em momentos de crise.

“Muitas pessoas sofrem em silêncio com ansiedade e depressão por receio de buscar ajuda. É fundamental mostrar que a saúde mental é tão importante quanto qualquer outra área da saúde”, concluiu.

AC – Estagiária

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