
A presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, apelou esta terça-feira à adoção de medidas rápidas e à melhoria das condições de saneamento em São Vicente, para evitar o surgimento de doenças consideradas incomuns em Cabo Verde.
O alerta foi feito à margem da cerimónia de lançamento da primeira revista cabo-verdiana de investigação em saúde, quando a responsável comentava a situação de saúde pública na cidade da Praia e na ilha de São Vicente.
“A situação em São Vicente é um pouco preocupante, porque se rapidamente não forem tomadas medidas relacionadas com os resíduos sólidos e líquidos, que estão ali, que estão na contaminação da água potável, com o de esgoto, que se verifica ali em várias zonas, nos próximos dias pode aumentar o número de casos de doenças que alguns até poderão não ser normais em Cabo Verde”, advertiu.
Entre as doenças que podem surgir, Maria da Luz Lima apontou a leptospirose, aumento de casos de diarreia, doenças de transmissão vetorial e, ainda que com menor probabilidade, a cólera.
A responsável garantiu que o setor da saúde está preparado para uma eventual subida de casos e que o INSP dispõe de um plano de resposta, incluindo cenários que envolvem hospitais de campanha, reservas de medicamentos e reagentes laboratoriais.
A prevenção, sublinhou, é fundamental. Nesse sentido, recomendou à população cuidados acrescidos, como ferver a água durante pelo menos cinco minutos antes do consumo, adicionar duas gotas de lixívia e aguardar antes de beber.
“Felizmente, a Electra já começou a normalizar a distribuição de água, mas ainda pode haver risco de contaminação”, advertiu, apelando também à lavagem frequente das mãos e à recolha adequada de animais mortos para evitar focos de infeção.
Relativamente à cidade da Praia, Maria da Luz Lima alertou para a necessidade de medidas preventivas contra a proliferação de mosquitos durante a época das chuvas, de modo a evitar doenças transmitidas por vetores.
“Neste momento, não temos casos de dengue nem de paludismo, mas pode acontecer, porque temos casos importados de países endémicos”, referiu, lembrando que a presença do mosquito no território pode facilitar a propagação.
As fortes chuvas provocadas pela tempestade tropical Erin, na segunda-feira, 11, causaram vários danos materiais, incluindo deslizamentos de terra, arrastamento de viaturas para o mar, desmoronamento de casas de lata, falhas nos sistemas elétricos e de telecomunicações, além da morte de animais.
De acordo com o Gabinete de Crise, foram confirmadas nove mortes e duas pessoas continuam desaparecidas. As buscas prosseguem em terra e no mar.
Face aos estragos, o Governo decretou estado de calamidade para as ilhas de São Vicente, Santo Antão e São Nicolau.