
O navio da Marinha Portuguesa NRP Sines desloca-se este sábado, 16, à ilha de Santo Antão para recolher água destinada ao abastecimento de algumas localidades em São Vicente, ilha que enfrenta sérias dificuldades no fornecimento desde a passagem da tempestade de 11 de Agosto.
A informação foi avançada pela porta-voz do Gabinete de Crise, Vitória Veríssimo, em conferência de imprensa sobre as medidas em curso para mitigar os efeitos das chuvas torrenciais. Segundo a responsável, a maior preocupação neste momento é a reposição do fornecimento de água, estando a empresa Electra a desenvolver trabalhos para recuperar a capacidade de produção e distribuição.
Enquanto decorrem os trabalhos de limpeza e recuperação da estação de dessalinização, estão a ser utilizados camiões-cisternas para levar às populações a pouca água ainda disponível. “Acreditamos que com o reforço que vai chegar de Santo Antão, quando o barco da Marinha Portuguesa terminar o processo de recolha, já teremos mais água para disponibilizar em algumas povoações”, afirmou Veríssimo, acrescentando que o Gabinete de Crise tem preparado “vários planos B” para reduzir o impacto da escassez.
Além do apoio logístico no transporte de água, a Marinha Portuguesa disponibilizou, na sexta-feira, 50 refeições quentes, que se juntaram às que vêm sendo asseguradas nos centros de acolhimento às famílias desalojadas.
Numa nota enviada à Inforpress, o Governo explicou que a Electra enfrenta sérias dificuldades devido às enxurradas que afetaram a única estação de captação e dessalinização da ilha. Os equipamentos ficaram submersos em água e lama, ficando fora de serviço desde a madrugada de 11 de Agosto.
Apesar disso, a empresa já conseguiu restabelecer toda a alimentação em baixa e prossegue com os trabalhos de limpeza e recuperação, para retomar “o mais rapidamente possível” a produção de água.
Na estação de captação e bombagem de João Ribeiro, em Chã de Alecrim, equipas técnicas estiveram a avaliar os estragos e preparam um plano de intervenção.
O Governo destacou ainda a articulação entre Proteção Civil, Electra e Marinha Portuguesa, entidades que se reuniram a bordo do navio português para delinear estratégias conjuntas de resposta à crise hídrica em São Vicente.