
O caso da tempestade em Valência (Espanha), que provocou mortes e danos materiais devido à falta de alerta oportuno, gerou grande repercussão e consequências para os responsáveis políticos e da Proteção Civil.
O caso de Valência serviu de lição para muitos países, mostrando que a falta de ação rápida em emergências pode ter consequências fatais e que os responsáveis podem enfrentar demissões, processos judiciais e danos à reputação. Mas, em Cabo Verde os responsáveis podem ficar tranquilos: aqui a culpa morre sempre solteira
O que aconteceu?
– Em setembro de 2023, uma forte tempestade (DANA – Depressão Aislada en Niveles Altos) causou inundações devastadorasem Valência e arredores.
– Várias pessoas morreram afogadas ou arrastadas pelas águas, e houve destruição de casas, estradas e infraestruturas.
– A população não foi alertada a tempo apesar de previsões meteorológicas indicarem risco extremo.
Falhas Identificadas
1. Atraso nos alertas – O sistema de avisos da Proteção Civil não foi ativado com a antecedência necessária.
2. Falta de coordenação – Autoridades locais e nacionais não agiram de forma eficiente para evacuar áreas de risco.
3. Comunicação ineficaz – Muitos cidadãos não receberam mensagens de emergência via SMS ou sirenes.
Consequências para os Responsáveis
– Demissões e críticas públicas:
– O diretor da Proteção Civil regional foi questionado e pressionado a assumir responsabilidade.
– Autoridades locais (prefeitos, governadores) enfrentaram acusações de negligência.
– Investigação judicial:
– Foi aberto um processo para apurar responsabilidades por homicídio por negligência.
– Famílias das vítimas exigiram justiça, alegando que as mortes poderiam ter sido evitadas.
– Reformas no sistema de alertas:
– O governo regional e nacional reforçou os protocolos de emergência para evitar falhas futuras.
– Maior investimento em sistemas de alerta precoce e comunicação com a população.
Comparação com Cabo Verde
Em situações similares (como inundações ou tempestades), Cabo Verde também precisa garantir:
Alertas antecipados (via rádio, SMS, sirenes).
Coordenação entre Proteção Civil, INGV e autarquias.
Responsabilização em caso de falhas graves.
É o que está na lei e parece normal que assim seja. Mas no dia 11 de Agosto, em São Vicente sequer foi enviado um alerta. Mesmo as 3 horas da manhã quando a tempestade atingiu o pico e se justificava um alerta vermelho foram os populares que tentaram se salvar e a ver outros a morrerem. O exemplo de Valência prova a gravidade da não emissão de um alerta em casos de tempestades. O alerta não desviava a DANA mas o aviso atempado podia ter salvado muitas vidas e a Justiça espanhola está a levar isso em consideração.
Eduino Santos