
Mediante a destruição que atingiu a ilha de São Vicente as pessoas tem sentido falta de comunicação por parte das autoridades , em particular dos responsáveis pela protecção civil ou pelo Ministro do Interior que tutela a protecção civil.
Em particular para explicar as fases que se seguem após a declaração do estado de calamidade que não serve só para alocar meios financeiros, mas essencialmente para proteger e cuidar das pessoas. E nestas situações uma desgraça nunca vem só. Enquanto se luta para tentar desencravar populações , assistir os desalojados , limpar as vias já se sabe que atenção vai, também, se concentrar nas doenças que podem atingir os cidadãos .
No Plano Nacional de Proteção Civil de Cabo Verde, que ninguém, ainda, sabe se está a ser implementado, após a declaração do estado de calamidade, estão previstas várias medidas para prevenir e controlar doenças que podem surgir devido a águas contaminadas e outros focos de infeção. Essas ações incluem:
1. Vigilância Epidemiológica Intensificada
– Reforço da monitorização de doenças como cólera, diarreias agudas, leptospirose, hepatite A, dengue e outras doenças transmitidas por vetores (mosquitos).
– Ativação de sistemas de alerta rápido para identificar surtos e implementar respostas imediatas.
2. Saneamento Básico e Controle de Água
– Distribuição de água potável em áreas afetadas para evitar o consumo de água contaminada.
– Cloração de reservatórios e fontes de água para eliminar bactérias e vírus.
– Limpeza e desinfecção de áreas alagadas para reduzir focos de doenças.
3. Campanhas de Educação e Sensibilização
– Divulgação de informações sobre higiene pessoal e coletiva, incluindo:
– Lavagem das mãos com água e sabão.
– Evitar contato com águas paradas ou contaminadas.
– Uso seguro de alimentos e água.
– Alertas sobre sintomas de doenças para incentivar a procura rápida por serviços de saúde.
4. Controle de Vetores (Mosquitos, Ratos, etc.)
– Pulverização de inseticidas em zonas de risco para evitar a proliferação de mosquitos (como o *Aedes aegypti*, transmissor da dengue).
– Eliminação de criadouros (água parada em pneus, vasos, etc.).
– Desratização para prevenir leptospirose.
5. Reforço dos Serviços de Saúde
– Disponibilização de medicamentos e suprimentos para tratamento de doenças relacionadas.
– Capacitação de profissionais de saúde para lidar com possíveis surtos.
– Isolamento de casos suspeitos de doenças contagiosas.
6. Apoio Psicossocial e Assistência às Populações Vulneráveis
– Acompanhamento de comunidades mais afetadas para evitar crises sanitárias.
– Apoio a grupos de risco (crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas).
7. Coordenação Interinstitucional
– Articulação entre **Proteção Civil, Ministério da Saúde, INGV (Instituto Nacional de Gestão de Riscos), autarquias e parceiros internacionais** (OMS, UNICEF, etc.) para uma resposta eficaz.
Conclusão
O plano visa minimizar os riscos de surtos de doenças após desastres naturais (como inundações) ou situações de calamidade, garantindo uma resposta rápida e organizada para proteger a saúde pública.
Agora resta saber se este é mais um daqueles planos feitos para ficar nas memórias do computadores ou por que o país tinha que ter um plano ou tem aplicação prática. Ficamos à espera .
Eduino Santos
Fonte: *Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil de Cabo Verde, Direção Nacional de Saúde (2023)*.