PAICV critica gestão municipal de São Vicente e aponta “inoperância generalizada” da CMSV

30/07/2025 11:43 - Modificado em 30/07/2025 11:43

Decorridos sete meses desde a tomada de posse da nova equipa camarária, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) em São Vicente veio hoje a público, em conferência de imprensa, denunciar aquilo que classifica como “inoperância generalizada” por parte da Câmara Municipal de São Vicente (CMSV) e apontar diversas fragilidades na governação local.

Durante a comunicação, o presidente da Comissão Política Regional do PAICV, Adilson Graça Jesus, traçou um retrato crítico do estado do município, sublinhando a falta de transparência na gestão camarária, dificuldades em vários setores sociais e incumprimentos em compromissos assumidos com parceiros locais.

Entre os pontos destacados pelo líder regional do PAICV estão, a falta de transparência e prestação de contas, dívidas e perda de credibilidade, segurança e fiscalização urbana

Segundo o PAICV, continua por esclarecer a gestão financeira dos principais eventos culturais da ilha, como os festivais da Baía das Gatas, o Carnaval, o São João e as festas de final de ano. O partido denuncia a ausência de informação pública sobre os gastos e os financiadores dos eventos.

Adilson Graça Jesus referiu ainda a existência de dívidas avultadas a fornecedores, que, alegadamente, não estão refletidas nas contas de gerência da CMSV. Tal situação, segundo o PAICV, tem levado várias empresas a recusarem trabalhar com a autarquia.

A Polícia Municipal foi também alvo de críticas. O efetivo é considerado insuficiente – apenas 15 elementos, dos quais apenas 8 atuam no terreno por falta de porte de arma dos restantes. Isso, segundo o partido, tem dificultado a fiscalização urbana e contribuído para o aumento de construções clandestinas e o desordenamento dos mercados.

Bombeiros e incumprimento de acordos

O PAICV acusa a CMSV de não ter cumprido o acordo assinado em 2024 com os bombeiros municipais, o que terá provocado desmotivação entre os efetivos. A atual corporação é considerada insuficiente para a dimensão populacional de São Vicente.

Habitação e gestão de terrenos

Denunciando a falta de uma política de habitação social, o partido refere que muitas famílias são levadas a construir em zonas informais, formando bairros precários sem intervenção estruturante da CMSV. Houve ainda denúncias sobre alegadas irregularidades na venda de terrenos, com casos de lotes vendidos mais de uma vez.

Desporto e juventude em retrocesso

No setor do desporto e juventude, o PAICV apontou a ausência de políticas públicas, degradação de infraestruturas e falta de apoio financeiro. A situação é descrita como crítica, com vários campos desportivos abandonados ou inacabados e parques de fitness em mau estado.

Saneamento e ambiente

O partido criticou o retrocesso na recolha de lixo, a existência de esgotos a céu aberto e a gestão das lixeiras de Ribeira de Julião e Norte da Baía. Apontou ainda falhas no funcionamento da ETAR, nomeadamente na análise e tratamento adequado das águas residuais.

Ambiente laboral tenso

Segundo a nota, a CMSV vive um ambiente de trabalho caracterizado por perseguições e punições arbitrárias a funcionários. Há denúncias públicas de condições de trabalho precárias e de um clima institucional dominado pela “lei do gosto”.

Cemitério e dignidade

O PAICV alertou também para a falta de espaço e manutenção do cemitério municipal, classificando a situação como desrespeitosa para com os mortos e os seus familiares. Defende-se a necessidade de construção de um novo cemitério e a introdução de novas soluções como a cremação.

Críticas à liderança da CMSV

Ao final da conferência, Adilson Graça Jesus lamentou aquilo que considera uma ausência total de políticas públicas transformadoras por parte da atual gestão municipal. “Não se conhece uma única ideia estruturante da CMSV para São Vicente”, afirmou. O dirigente do PAICV foi mais longe e sugeriu a saída do atual presidente da câmara, Augusto Neves, caso este continue sem apresentar respostas concretas às necessidades da população.

“Se não consegue dar resposta às expectativas dos sanvicentinos, que dê lugar a quem consiga”, concluiu.

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