
Os deputados nacionais do PAICV eleitos por São Vicente realizaram uma visita de trabalho à ilha com o objetivo de preparar a sua intervenção no Debate sobre o Estado da Nação, agendado para o final deste mês de julho. Em conferência de imprensa no Mindelo, esta segunda-feira, denunciaram diversas fragilidades no setor da saúde e apontaram situações que, segundo afirmam, comprometem o atendimento à população.
A comitiva visitou o Hospital Batista de Sousa, o Centro de Terapia Ocupacional da Ribeira de Vinha, a Delegacia de Saúde e vários centros de saúde, tendo identificado “problemas estruturais e funcionais graves” em todas essas unidades.
Josina Freitas, deputada do PAICV, diz que o Hospital Batista de Sousa, referência para toda a região Norte, enfrenta dificuldades como a escassez de especialistas, falta de medicamentos e condições logísticas inadequadas. “A lista de espera para consultas tem aumentado, tal como a dificuldade na realização de cirurgias programadas”, elencou.
Um exemplo destacado pela parlamentar é a situação da cozinha do hospital, que está inoperacional há mais de cinco meses, obrigando a instituição a recorrer a serviços de catering externos. “Esta situação põe em causa a segurança alimentar dos pacientes”, alertou.
A deputada lembrou que, em março de 2023, o Governo havia anunciado a construção de uma nova cozinha como “exemplo de qualidade”. No entanto, a estrutura atualmente serve apenas como depósito.
Outro problema apontado refere-se ao Centro Ambulatorial do hospital, cuja obra, iniciada em 2019 com um prazo previsto de 18 meses, continua inacabada seis anos depois. Segundo o PAICV em São Vicente, a derrapagem financeira já se aproxima do valor inicial da obra, e os trabalhos decorrem sem fiscalização devido à suspensão de pagamentos à empresa responsável.
A deputada Josina Freitas destacou ainda a situação do Centro de Terapia Ocupacional da Ribeira de Vinha, inaugurado em 2022, mas que permaneceu seis meses fechado e continua com serviços limitados. “Não há terapeutas ocupacionais em funcionamento, o tempo de tratamento foi reduzido de nove para seis meses, e o orçamento para a alimentação dos utentes é, segundo Freitas, “manifestamente insuficiente”.
“São apenas 1.800 contos anuais, o que equivale a cerca de 45 escudos por refeição”, denunciou a parlamentar, acrescentando que a instituição também não tem personalidade jurídica, dificultando a sua gestão administrativa e financeira.
A nível da atenção primária, os deputados denunciaram que os centros de saúde deixaram de funcionar aos fins de semana e feriados devido a falta de pagamentos. A Delegacia de Saúde enfrenta problemas de pessoal, com a saída de funcionários da luta anti vetorial, sem reposição adequada.
Sobre a unidade de quimioterapia prometida para São Vicente, anunciada em 2022 como estando “em fase avançada de implementação”, os parlamentares afirmam que não há qualquer estrutura física ou operacional visível no terreno.
Apesar do tom crítico, os deputados agradeceram à República Popular da China pela construção e entrega do novo Centro Materno Infantil em São Vicente, já concluído e equipado. “Esperamos que o Governo avance rapidamente com a contratação de profissionais para garantir o funcionamento pleno desta unidade”, frisaram.
Em tom de alerta, os parlamentares chamaram a atenção para os riscos de saúde pública com a aproximação da época das chuvas, face aos problemas de esgotos e saneamento básico na ilha.
No final, Josina Freitas destacou a necessidade de resolver também a escassez de medicamentos e questionou o estado atual da Emprofac. “Depois de um ano de insistências, foi recentemente nomeado um novo administrador, o que mostra que há uma estratégia de desvalorização desta instituição”, afirmou.
NN