Peixeiras do Mindelo testam produção de ração animal a partir de resíduos de peixe

1/07/2025 11:15 - Modificado em 1/07/2025 11:15

A Associação de Peixeiras do Mindelo (APM) está a desenvolver um projecto-piloto que visa transformar resíduos de peixe — como cabeças, tripas e espinhas — em ração animal, numa iniciativa que alia conhecimentos tradicionais à inovação, com impacto social, económico e ambiental.

A informação foi avançada à Inforpress por Tancredi Rallo, coordenador de projectos da APM, que explicou que o objectivo principal passa por reduzir o desperdício gerado no mercado de peixe e promover práticas alinhadas com a economia circular.

“No âmbito da redução dos desperdícios, e para fechar o ciclo da economia circular, desenvolvemos um projecto-piloto de reaproveitamento dos resíduos de peixe. A ideia é recolher os resíduos gerados no mercado, cozinhá-los, secá-los e depois moê-los para obter farinha de peixe”, explicou.

Essa farinha, segundo o responsável, será posteriormente misturada com milho ou soja, podendo assim ser utilizada como ração para animais. Para o efeito, foi criada uma pequena estrutura de secagem na zona da Ribeira de Julião, protegida com rede anti-mosquito, para garantir condições sanitárias adequadas durante o processo.

Além da infraestrutura, foi celebrado um acordo com uma empresa local de criação de galinhas, que permitirá testar a eficácia do produto e analisar a sua viabilidade comercial.

“Queremos perceber se este projecto pode ser sustentável e gerar rendimento para tratadores e peixeiras, além de contribuir para a redução do desperdício no mercado”, indicou Tancredi Rallo. O projecto encontra-se ainda numa fase experimental, estando a ser avaliados aspectos como custos, rentabilidade e possíveis ajustamentos ao processo.

A iniciativa insere-se no projecto “Promoção de uma cadeia de pesca integral mais inclusiva e sustentável que favoreça o acesso aos direitos das mulheres e dos jovens no litoral de São Vicente – Amdjer d´ txeu Luta” (“Mulher de muita luta”), com apoio das organizações não-governamentais Paz e Desenvolvimento e Coopera, e financiamento da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).

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