
O Grupo Desportivo da Palmeira sagrou-se este sábado, 21 de Junho, campeão nacional de futebol, ao vencer o Boavista da Praia por 4-3 no desempate por grandes penalidades, depois de um empate a zero no final dos 120 minutos regulamentares. A final decorreu no Estádio Adérito Sena, em São Vicente, e marcou o encerramento da edição 2025 do Campeonato de Cabo Verde.
O herói da tarde foi o guarda-redes Djão, da equipa salense, que brilhou ao defender duas grandes penalidades. Uma exibição que lhe valeu a distinção de Jogador Mais Valioso da Final (MVP), num jogo em que os guarda-redes foram, de facto, os protagonistas maiores.
Apesar do simbolismo da data e do ambiente festivo que a organização procurou imprimir ao evento, o arranque da final ficou marcado por uma moldura humana aquém das expectativas. Ainda assim, a cerimónia foi assinalada com momentos simbólicos, como a interpretação do hino nacional por Emi Benrós, jovem de 16 anos, “acapella”, perante um público composto por diversas figuras institucionais, incluindo o Presidente da República, ministros do Governo e o presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF).
Antes do apito inicial, houve ainda espaço para duas homenagens. Num gesto de sensibilização para a saúde mental, uma psicóloga foi escolhida para entregar a bola oficial ao árbitro da partida. Seguiu-se um minuto de silêncio em memória de Carlos Alberto Rocha Fortes, conhecido por Rodas, antigo presidente do Palmeira e figura respeitada da comunidade salense, recentemente falecido.
Dentro das quatro linhas, o jogo foi pautado por equilíbrio, com ambas as equipas a entrarem de forma cautelosa, quase receosas de arriscar. Durante os primeiros 15 minutos, o futebol ficou confinado ao meio-campo, com poucas aproximações às balizas.
O primeiro sinal de perigo surgiu aos 18 minutos, quando Gato, avançado do Boavista, protagonizou uma jogada individual e rematou rente ao poste da baliza da Palmeira, numa das raras iniciativas ofensivas dignas de registo na primeira parte.
O segundo tempo manteve o mesmo tom: muitas interrupções, ritmo baixo e escassez de ocasiões claras de golo. Só no prolongamento é que o jogo ganhou alguma emoção, com lances mais perigosos de parte a parte. Tatau (Palmeira) e Hendrick (Boavista) estiveram perto de desbloquear o marcador, mas sem sucesso.
Com o empate sem golos a persistir após 120 minutos, a decisão recaiu sobre as grandes penalidades. E foi aí que Djão escreveu o seu nome na história da competição, garantindo o troféu para a equipa da Palmeira com três defesas decisivas.
Para além da taça de campeão, acompanhada de um cheque no valor de 750 mil escudos, a equipa da Palmeira celebrou ainda outras distinções individuais e colectivas.
O treinador Toca Leite levou o prémio de técnico campeão, enquanto Tatau foi eleito o Melhor Jogador do Campeonato. O prémio de Guarda-redes Menos Batido foi para Cancu, dos Sanjoanenses, ao passo que Jon de Bibi, do Paulense, foi o Melhor Marcador, com seis golos.
O Boavista da Praia, apesar da derrota, arrecadou o prémio Fair-play e um cheque de 500 mil escudos como vice-campeão nacional.
Com este título, a Palmeira reforça o seu estatuto entre os grandes do futebol cabo-verdiano, numa época em que conquistou tudo a nível regional e nacional (Taça e campeonato de Cabo Verde).
NN