
A iniciativa promovida pelo Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente, ICCA, em parceira com o Instituto de Turismo de Cabo Verde, visa criar uma rede de apoio entre profissionais do turismo e instituições especializadas, reforçando a proteção de crianças e jovens
A ação, promovida em várias regiões do país, tem como objectivo sensibilizar estes operadores para os sinais de alerta e envolvê-los activamente na detecção e prevenção de situações de risco.
A formação, conduzida por Nilson Mendes, coordenador do programa “Proteja”, pretende não só informar, mas também capacitar os profissionais para atuarem como elementos-chave numa rede de proteção.
“O foco está na criação de uma colaboração eficaz entre o setor do turismo e as entidades competentes, como forças de segurança, comissões de proteção de crianças e jovens, e organizações não-governamentais”, explicou Mendes, que realçou ainda que, o contacto direto que muitos destes profissionais mantêm com turistas e com a comunidade local coloca-os numa posição privilegiada para identificar comportamentos suspeitos e agir atempadamente.
“É fundamental que estes profissionais saibam como agir e a quem recorrer quando se deparam com uma situação que pode configurar abuso ou exploração sexual. A sua intervenção pode ser decisiva”, sustentou o formador.
Segundo Nilson Mendes, o ponto principal é a criação de rede de operadores turísticos no contexto de viagem e turismo. “Ou seja, eles mesmos trabalhando não só com ferramentas, reforços e capacidades técnicas na prevenção, mas também na identificação. Eles mesmos que podem ser uma ligação, não só a nível da comunidade, não só a nível de turistas, quer turistas internos, quer turistas externos, que viajam para Cabo Verde por várias razões, mesmo que seja por diversão, por lazer ou por trabalho, é necessário que as crianças ou os adolescentes nas ilhas devem estar protegidos de toda forma de violência, sobretudo nesse contexto de exploração sexual.
Os participantes receberam ainda material informativo e contactos úteis para facilitar a articulação com as autoridades competentes. Segundo a representante da agência de viagens Aventura, Isaneth Coutinho, os guias podem ter contatos com este tipo de situações, algo que não é recorrente, mas garantiu que como agência, a sua empresa aderiu desde de 2017 a uma iniciativa internacional, que é chamada The Code.
“É uma iniciativa especificamente para a prevenção do abuso sexual de crianças no turismo e viagens, e quando nós aderimos a essa iniciativa, o que é que nós acabamos de fazer foi estabelecer um plano interno, enquanto agência, como é que podemos atuar nesse aspecto e sensibilizar os fornecedores e nossos funcionários a fazer uma formação online, sensibilizar tudo nos guias, os alojamento entre outros, da forma que podem agir”, ou seja, sustentou Coutinho, trabalhar como uma rede e dar apoio em prevenir todo esse tipo de situação.
Uma formação, que segundo o guia de turismo Nelson Lopes serve para despertar sobre este fenómeno mundial. “Cabo Verde como sendo um país onde temos uma economia muito aberta e bastante dependente do turismo, infelizmente não estamos livre desta problemática, então acho que é muito importante começar a consciencializar e passar informação, mobilizar pessoas, famílias, colegas para esta causa.
Esta ação insere-se numa estratégia mais ampla de prevenção e combate à exploração sexual no turismo, seguindo recomendações internacionais e boas práticas já implementadas noutros países.