
A responsável do Banco de Leite Humano do Hospital Baptista de Sousa disse hoje à Inforpress que o banco registou 128 doadores de leite e 55 bebes beneficiaram das doações no ano de 2024.
Segundo Joseane Custódio, que falava durante uma homenagem às doadoras, entre os desafios do Banco de Leite Humano do Hospital Batista de Sousa, que completa três anos no próximo 01 de Setembro, está a necessidade de alargar horário de funcionamento para 24 horas.
Isto, continuou, para ser um banco autossuficiente e garantir que nenhum bebe fique sem se alimentar com leite materno naquela unidade hospitalar.
“Nós temos de desmistificar que o leite, antes de ser levado para o Serviço Neonatologia, ele passa por um processo muito criterioso na sua selecção, desde a mãe até chegar no leite para o bebê na neonatologia. Então, ele torna-se um leite muito seguro e também é muito importante porque nós sabemos que nenhum alimento substitui o leite materno”, explicou a mesma fonte, justificando a razão da homenagem.
Para a nutricionista é preciso informar que o banco de leite é também uma sala de apoio à amamentação em que os profissionais auxiliam as mães com problemas de amamentação, de mama e de como se posicionar os bebés, que são erros que podem ser cometidos, sobretudo para as menos experientes.
A responsável do banco de leite frisou a importância de homenagear as doadoras de frascos, sublinhado que sem esse utensílio seria impossível armazenar o leite.
“São frascos de vidro com tampas de plástico e resistentes ao calor para poderem ser esterilizados e também devem fechar muito bem para evitar a contaminação”, reforçou.
Uma das doadoras e que foi homenageada, Ruana Brandão, 19 anos, e mãe de duas bebés de cinco meses, disse que o facto de ser mãe de gémeas não a impediu de doar leite, pelo que aconselha outras pessoas a doar.
“Eu tinha muito leite e as minhas bebés não se davam conta de tanto leite comecei a doar no hospital e continuei em casa. Muitas pessoas diziam-me que por ter gémeas não deveria doar porque ficaria sem leite para alimentá-las, mas isso não aconteceu porque ainda produzo muito leite”, relatou.
Na mesma linha, Zeila Silva explicou que decidiu fazer a doação porque tinha excesso de leite e inicialmente não estava a conseguir lidar com isso, mas foi convidada pelo banco de leite a faze doação.
“Fazia doação de leite no período da manhã e, como tinha excesso de leite, tive a necessidade de mandar buscar uma bomba na casa. Depois quando tive alta continuei a fazer doação domiciliar” explicou a doadora, para quem “é satisfatório e gratificante” saber que tem por aí bebes que se alimentaram com o leite que ela produziu.
Por isso, ela disse que espera que a doação de leite seja mais divulgada porque ainda existem mães que pensam que a extracção do leite dói, por falta informação.
Por sua vez, Helga dos Reis, que recebeu leite para doar à sua bebé, mostrou-se agradecida porque além de a filha ter nascido prematura enfrentou problemas em produzir leite.
“A minha filha não pode alimentar-se à nascença e até agora, aos três meses, tem dificuldades em amamentar. Por isso, é gratificante ter sido beneficiada e aconselho as mães a doar para ajudar outras a alimentar os seus bebés”, precisou.
A directora do Hospital Baptista de Sousa, Helena Rebelo, vincou a importância das doadoras para que o hospital consiga alimentar bebés com leite humano, sublinhado que o leite é um “alimento vital “para os recém-nascidos.
Segundo Helena Rebelo, o banco de leite cumpre os objectivos do Hospital Baptista de Sousa em ser “um hospital amigo da criança” facto que levou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) a distinguir o hospital nesta semana.
Inforpress/Fim