Equipa feminina de Xadrez pode ficar de fora das Olimpíadas na Hungria devido ao agendamento de vistos – Presidente

23/07/2024 13:15 - Modificado em 23/07/2024 13:16
Francisco Carapinha – Presidente da Federação Cabo-verdiana de Xadrez e árbitro Internacional

Cabo Verde volta a marcar presença pela terceira vez nas Olimpíadas de Xadrez que acontecem, de 11 a 22 de setembro, em Budapeste, na Hungria. Contudo, a participação da equipa feminina está em risco devido ao agendamento dos vistos das atletas pelo Centro Comum de Vistos.

A informação foi avançada pelo presidente da Federação Cabo-verdiana de Xadrez, Francisco Carapinha, que se mostra completamente desiludido com esta situação.

Isso porque o Centro Comum de Vistos marcou o agendamento dos vistos para o dia 28 de agosto, quando deverão viajar no dia 10 de setembro. “Pedimos o reagendamento, a ver se faziam pelo menos na segunda semana de agosto. Mas disseram-nos que está tudo cheio, não há hipótese nenhuma”, lamentou o presidente da FCX, que, assegurou, tem estado em contacto com as autoridades para resolverem o problema, mas até agora nada.

“Sinceramente, estou desiludido e provavelmente, se calhar, não iremos conseguir levar a equipa feminina”. Uma situação que atinge apenas a equipa feminina, já que na Equipa Open, os jogadores não enfrentam este problema. 

Isso porque um já tem visto. Outros três têm visto do Espaço Schengen. Portanto, têm passaportes de países Espaço Schengen. A equipa é formada por quatro jogadores e um suplente. “Se tivermos os quatro, já teremos a equipa para participar”.

Questionado sobre o planeamento da equipa, diz que esta é uma situação que vem sendo planeada. “Gosto das coisas bem planeadas, bem organizadas. Não estou a planear em cima do joelho. Se não houver uma reviravolta nisto, a minha proposta é cancelar a ida da equipa feminina”, lamentou Francisco Carapinha. 

Relembrou que existe um agendamento especial, o chamado Balcão Azul, e mesmo neste foi marcado para 28 de agosto, quando têm que viajar a 10 de setembro, logo prefere cancelar a participação feminina com antecedência, caso não haja uma solução para evitar gastos. 

“Uma viagem daqui, por exemplo, daqui para a Hungria, de São Vicente, a mais cara, custa a volta de 200 contos por jogador. Logo, quando chegarmos a essa data, já queremos ter a certeza. Porque senão ainda custa mais. Isto não é uma operação que não é barata. E, portanto, nós temos que ter os pés assentes na terra”, explicou Francisco Carapinha.

Uma situação que deixa um sabor amargo a FCX que se mostra triste. “E cada vez mais aquele o meu entusiasmo vai-se perdendo”. 

A Federação foi fundada em 2016 e Cabo Verde fez a sua primeira participação em 2018 com a equipa Open. Em 2022, após paragem devido à Covid, Cabo Verde participou nas competições na Índia, e agora participar na Hungria. 

Nestas duas edições, na primeira Cabo Verde atingiu o objetivo que era ficar longe do último, e na segunda participação o terceiro melhor da nossa zona. “Por exemplo, o Mariano Ortega em 10 partidas ganhou nove e empatou uma”. 

Portanto, se fosse como as classificações eram feitas antigamente, ele teria trazido a medalha de ouro do primeiro tabuleiro. “Porque foi o jogador no primeiro tabuleiro que mais pontos fez e trouxemos dois xadrezistas, ainda condicionalmente, candidatos a mestre. Um na parte Open e o outro na parte feminina”. 

E que estes já são alguns resultados que os incentivam para chegar mais longe.

Outro incentivo, é a presença de Cabo Verde na arbitragem das olimpíadas, conforme lista divulgada pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE) divulgou, no dia 21 de julho,

O árbitro Internacional Francisco Carapinha, está assim entre os 190 árbitros desta Olimpíada que decorrerá de 10 a 23 de Setembro, próximos. Para esta Olimpíada foram nomeados 6 árbitros do espaço lusófono: Brasil (com 2 árbitros), Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, (com 1 árbitro cada).

Esta é mais uma honra internacional para o xadrez cabo-verdiano que, pela primeira vez, terá um árbitro seu na maior competição mundial de xadrez.

Relembramos que Francisco Carapinha, foi recentemente elevado, pela FIDE, à categoria C, tornando-se o árbitro de xadrez mais categorizado nos PALOPs.

“Portanto, será também uma grande janela para o nosso xadrez, porque ser árbitro numa competição destas é a maior competição de xadrez do mundo”, destacou Francisco Carapinha.

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