
A Ordem dos Médicos Cabo-verdianos (OMC) manifestou preocupação com o atual rácio de médicos especialistas por habitante no país, destacando os desafios enfrentados pela classe médica e a necessidade urgente de reforçar a especialização na medicina.
Em comunicado, a OMC informou que, dos 772 médicos inscritos na instituição, apenas 432 estão em exercício ativo em Cabo Verde. “A vasta maioria destes profissionais, cerca de 65%, são médicos sem especialidade, o que agrava a situação já preocupante do rácio de médicos especialistas por habitante”, afirmou a Ordem.
A OMC ressalta que algumas áreas do país continuam sem especialistas, enquanto outras possuem apenas um, o que é “manifestamente insuficiente” para garantir um serviço de qualidade.
“Esta situação compromete a qualidade do serviço prestado e contribui para a exaustão dos médicos”, alertou a instituição.
A sobrecarga laboral dos médicos em exercício tem levado a longas jornadas de trabalho e condições de stress extremo, resultando frequentemente em exaustão física e mental. A Ordem sublinhou que esta realidade tem sido uma constante preocupação e alvo de reflexão contínua.
Em resposta a uma recente notícia veiculada na comunicação social, que sugeria que Cabo Verde possui um excedente de médicos, a OMC clarificou que os números divulgados são incorretos.
“Na OMC estão inscritos 772 médicos, entre os quais 68 são aposentados, e apenas 432 estão no ativo dentro do Sistema Nacional de Saúde, público e privado. Os restantes são médicos residentes no exterior ou que exercem medicina no país de forma temporária”, esclareceu a Ordem.
De acordo com a OMC, o rácio ideal, conforme estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é de um médico para cada 1000 habitantes. Com uma população de aproximadamente 500.000 habitantes e apenas 432 médicos ativos, Cabo Verde claramente não alcança este rácio.
“A OMC está comprometida com a medicina, com a profissão e a saúde da população, em prol de um sistema nacional de saúde robusto e eficiente, capaz de responder adequadamente às necessidades da sociedade e população cabo-verdianas”, reafirmou.