
édicas cabo-verdianas responsáveis por diferentes áreas hospitalares destacaram hoje, em Lisboa, os desafios enfrentados por Cabo Verde no combate à doença falciforme, apresentando uma série de dificuldades em termos de diagnóstico e tratamento da doença.
A directora do Serviço do Banco de Sangue do Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), Linette Andrade, a coordenadora do Programa Nacional de Segurança Transfusional no Ministério da Saúde e responsável do Banco de Sangue do Hospital Baptista de Sousa, Conceição Pinto, e a coordenadora do Programa da Medicina Geral Familiar, Cláudia Oliveira, partilharam esses desafios na 1ª Conferência Internacional sobre a “Doença falciforme nos países da CPLP”, que decorre na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Linette Andrade falou sobre a situação na ilha de Santiago que acolhe metade dos quase 500 mil habitantes de Cabo Verde, mencionando a ausência de um estudo de prevalência da doença, mas realçou que desde 2019, o Banco de Sangue do HUAN tem realizado testes de falciformação em todos os doadores, tendo registado uma prevalência de 4 por cento (%) entre cerca de cinco mil doadores.
“Os doentes, para serem diagnosticados, têm suas amostras enviadas para Portugal, na maioria dos casos através de serviços privados”, afirmou a médica, ressaltando a inexistência de uma política de saúde específica para a doença falciforme e a falta de técnicas avançadas de diagnóstico no país, como a eletroforese e HPLC.
A médica Linette Andrade também abordou as dificuldades no tratamento e profilaxia, contando que embora o país disponibilize hidreia gratuitamente para os mais carenciados, “há constantes rupturas de estoque”, deixando o país sem o medicamento por três meses, actualmente,
“Temos a penicilina, mas em relação à vacinação, duas vacinas fundamentais não constam na lista do Programa Nacional de Vacinação e no calendário de vacinação, que é a antipneumocócica e a antimeningocóciga”, indicou.
Por sua vez, Conceição Pinto expressou a sua preocupação com a alta prevalência de anemia em mulheres em idade fértil e crianças, especialmente na ilha de Santiago, sugerindo que muitos desses casos poderiam ser de falciforme não diagnosticados, além de destacar a influência da imigração no aumento de casos da doença.
“Temos imigração de quase todos os países do continente africano para as ilhas turísticas do Sal e da Boa Vista, e é natural que entre esses imigrantes haja portadores da doença falciforme”, explicou, relatando a sua experiência na Boa Vista, onde diagnosticou duas crianças com anemia em uma semana.
Já a coordenadora do Programa da Medicina Geral Familiar, Cláudia Oliveira, em representação da ministra da Saúde, Filomena Gonçalves, enfatizou a necessidade de um plano estratégico específico para a anemia falciforme.
“Temos que começar pelo diagnóstico, incluindo diagnóstico pré-natal e neonatal, e triagem perinatal”, afirmou a médica, destacando a importância de formação contínua para profissionais de saúde, tanto médicos quanto não médicos, para melhorar a detecção precoce e correta da doença.
Cláudia Oliveira defendeu ainda a inclusão da falciforme nos diversos programas de saúde, como os de saúde infantil e reprodutiva, além dos programas de doenças crónicas não transmissíveis.
A conferência em celebração ao Dia Internacional da Anemia Falciforme visa aumentar a consciencialização, partilhar estratégias e dificuldades, e fortalecer a cooperação lusófona no âmbito desta doença.
O evento é organizado pela Associação Portuguesa de Pais e Doentes com Hemoglobinopatias, pela Associação Lusófona de Especialistas para a Doença Falciforme, pelo St. Jude Children’s Research Hospital e pela CPLP e reúne e representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e especialistas dos ministérios da Saúde da CPLP.
A anemia falciforme é uma doença genética caracterizada por uma alteração na estrutura dos glóbulos vermelhos que pode causar dores intensas, infecções frequentes e complicações graves em diversos órgãos.
A doença afecta milhões de pessoas em todo o mundo, predominantemente na região da África Subsariana e, apesar de não ter cura acessível, com a devida assistência os doentes podem viver além dos 50 anos, mas sem o tratamento, a maioria não chegam aos 5 anos.
Apesar de ser a 12ª causa de morte abaixo dos 5 anos em todo o mundo, os especialistas afirmam que a doença permanece negligenciada em termos de financiamento para investigação, acesso a tratamento e políticas de saúde pública.
Inforpress
Uma doença que nao se cura com drogas mas sim terapia genetica, tecnologia que nem nos paises mais avançados do mundo esta ao alcance de todos, que penam fazer em CV? Identificar sim seria possivel se pusessem a funcionar os recursos tecnologicos ja disponiveis em CV (electrophoresis e HPLC), contrariamente ao que se disse neste artigo. O problema e falta de consistencia nos trabalhos e continuidade de projectos financiados com fundos estrangeiros. Aplaudo a iniciativa para melhor diagnostico e tratamento dos pacientes e assim minimizar o sofrimento dos mesmo pois a cura so se alcança via terapia genetica (Molecular genetics), longe do nosso alcance m CV a curto, medio e longo prazo.