
O presidente da União Cabo-Verdiana para a Independência e Democracia (UCID), João Santos Luís, desafiou, hoje o governo, à tomada de medidas após a leitura do relatório da Inspeção Geral das Finanças, que aponta para uma possível má gestão dos recursos públicos na Fundação Cabo-Verdiana de Ação Social e Escolar (FICASE).
Durante a análise do Relatório de Inspeção Geral das Finanças referente aos anos de 2017 a 2020, o presidente da UCID, João Santos Luís, falava à rádio pública que identificou indícios de má gestão dos fundos públicos. Este alerta ressalta a gravidade de tal situação, especialmente em um país com recursos limitados.
Santos Luís enfatizou que “um país que aspira a ter um baixo índice de corrupção e onde as instituições operam no âmbito democrático não pode tolerar a prevalência de situações desta natureza”. Em sua visão, não basta apenas a constatação das irregularidades; é preciso que sejam estabelecidas consequências.
“O relatório deve ser imediatamente encaminhado às autoridades nacionais competentes para tomarem medidas, nomeadamente o Ministério Público ou o Tribunal de Contas. Não faz sentido realizar uma inspeção, elaborar um relatório e depois não haver consequências”, afirmou Santos Luís.
O líder da UCID também defendeu a ideia de que os atuais administradores da FICASE, diante das evidências apresentadas, não têm condições para continuar em seus cargos.
“Se eu estivesse na posição de responsável da FICASE, colocaria meu cargo à disposição até que toda a situação fosse esclarecida”, declarou Santos Luís, destacando a importância da preservação da reputação das instituições estatais.
Caso os atuais administradores não optem por renunciar ou se afastar de seus cargos, Santos Luís acredita que o governo e a pessoa que os indicou devem intervir para corrigir a gestão imprópria dos recursos públicos até que o assunto seja totalmente esclarecido.
Em resposta às notícias e ao posicionamento do PAICV sobre o assunto, o Conselho da Administração da FICASE emitiu um comunicado, no qual rejeita veementemente as alegações de práticas corruptas.
O comunicado ressalta que a atuação dos membros do Conselho sempre foi guiada por “princípios de rigor, transparência, ética e integridade”.
O Conselho afirma que todos os esclarecimentos solicitados no contexto da inspeção foram devidamente fornecidos no momento apropriado e que o contraditório encontra-se publicado junto ao relatório no site do Ministério das Finanças.
Ademais, o Conselho reitera sua total confiança na “transparência” de sua gestão.