Presidenciais 2026: Candidatos intensificam campanha com propostas para o futuro de Cabo Verde

1/11/2026 19:06 - Modificado em 1/11/2026 19:06
@Forbes Africa

Os seis candidatos às eleições presidenciais de 15 de Novembro intensificaram, este fim de semana, as acções de campanha em diferentes pontos do país e junto das comunidades cabo-verdianas na diáspora, apresentando propostas e posições sobre áreas como a saúde, a protecção social, o desporto e a mobilização eleitoral.

No Mindelo, José Maria Neves destacou o ambiente de entusiasmo, cumplicidade e mobilização em torno da sua candidatura. Depois de participar numa carreata pelas ruas da cidade, o candidato manifestou confiança na escolha dos cabo-verdianos, apelando à renovação da confiança naquilo que designa de «nova versão JMN 2026».

José Maria Neves considerou que as iniciativas de rua permitem uma maior proximidade com os eleitores e a divulgação de uma mensagem assente no diálogo e no debate de ideias. Reforçou ainda o apelo à união dos cabo-verdianos, independentemente das opções políticas ou religiosas, em torno do projecto «Cabo Verde, Vencer Juntos».

Já Joana Rosa defendeu um Estado mais atento à violência baseada no género, ao feminicídio e à vulnerabilidade de mulheres, crianças e idosos.

Joana Rosa considera que o Presidente da República deve assumir um papel activo na defesa dos direitos dos cidadãos, utilizando a magistratura de influência para sensibilizar a sociedade, promover debates e exigir maior atenção das instituições. Defendeu ainda uma Presidência mais próxima das pessoas, capaz de proteger os mais vulneráveis, reconhecendo que o chefe de Estado não dispõe de competências executivas para resolver directamente todos estes problemas.

Por sua vez, Casimiro de Pina, durante um encontro com a comunidade cabo-verdiana em Brockton, nos Estados Unidos, criticou José Maria Neves e Joana Rosa por, segundo afirmou, terem iniciado actividades de campanha antes do período oficialmente estabelecido.

O candidato classificou a situação como uma violação das regras eleitorais e da Constituição, sublinhando que a campanha oficial começou a 29 de Outubro e termina a 13 de Novembro. Casimiro de Pina afirmou que decidiu respeitar os prazos legais, defendendo que não pretende chegar à Presidência da República através do desrespeito pela lei.

Em Achada Santo António, na cidade da Praia, Antero Tavares apresentou a sua candidatura como uma alternativa para o país. O candidato associou os elevados níveis de abstenção nas sucessivas eleições à falta de alternativas capazes de mobilizar os eleitores.

Segundo Antero Tavares, os contactos realizados durante a recolha de assinaturas revelaram uma população cansada e desmotivada em relação à participação eleitoral. Contudo, afirmou que o discurso de alguns cidadãos está a mudar, com mais pessoas a manifestarem intenção de votar e interesse na sua candidatura.

O candidato disse não estar a pedir votos, mas uma oportunidade para que os cabo-verdianos conheçam o seu percurso e avaliem as suas propostas.

O desporto esteve no centro da agenda de Loisito Sousa, que esteve no Estádio Municipal do Tarrafal, onde acompanhou um jogo entre Beira-Mar e Delta Cultura e conversou com atletas e adeptos.

O candidato defendeu a criação de políticas públicas que valorizem os talentos desportivos nacionais, apoiem os clubes e garantam maior sustentabilidade aos atletas. Caso seja eleito, pretende utilizar a magistratura de influência para sensibilizar as instituições competentes a investirem no sector, criando condições para que os jovens possam transformar o talento desportivo numa actividade profissional e numa fonte de rendimento.

Na ilha Brava, Gilson Alves colocou a saúde no centro das suas propostas. O candidato, médico de formação, prometeu trabalhar para transformar o Serviço Nacional de Saúde no melhor de África, defendendo a construção de hospitais em todas as ilhas e o reforço das condições de atendimento.

Durante uma visita ao Centro de Saúde da Brava, apontou insuficiências ao nível das infra-estruturas e dos equipamentos, nomeadamente a falta de um campo operatório e de um gasómetro. Gilson Alves defendeu ainda a criação de um grande hospital nacional.

Para concretizar esta visão, voltou a defender uma mudança do actual modelo de governação, com a implementação de um sistema presidencialista, no âmbito de uma terceira República. O candidato pretende assumir uma Presidência executiva, com poderes directos na condução das políticas públicas, incluindo na área da saúde.

José Maria Neves, Antero Tavares, Casimiro de Pina, Gilson Alves, Joana Rosa e Loisito de Sousa são os seis candidatos que disputam a Presidência da República nas eleições de 15 de Novembro. A votação irá determinar quem ocupará a chefia do Estado cabo-verdiano durante os próximos cinco anos.

NN/Inforpress

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.