
O Governo prevê realizar 12 transplantes renais até ao final de 2026, seis dos quais em novembro, no Hospital Universitário Agostinho Neto, na cidade da Praia, ilha de Santiago e outros seis em dezembro, no Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente. Paralelamente, estão em curso negociações para a implementação de um serviço de radioterapia no país, uma valência considerada fundamental para o tratamento de doentes oncológicos em fases mais avançadas da doença.
Em declarações aos jornalistas, o ministro da saúde, Lúcio Miranda Fernandes, garantiu que o programa de transplantes renais vai continuar e ser reforçado, com o objetivo de aumentar progressivamente a capacidade nacional para realizar este tipo de intervenção e reduzir a dependência de tratamentos e procedimentos no estrangeiro.
O governante defendeu, no entanto, que a estratégia do país não deve limitar-se ao tratamento das complicações da doença renal, mas apostar sobretudo na prevenção, através do controlo da hipertensão arterial, diabetes e outras doenças crónicas.
Neste contexto, destacou a importância da eliminação das taxas nos serviços hospitalares públicos, medida que, segundo afirmou, permitiu aumentar a procura dos cuidados de saúde e facilitar o acesso de pessoas que anteriormente tinham dificuldades em recorrer aos hospitais.
O Executivo pretende ainda trabalhar com as câmaras municipais na reabilitação de postos sanitários e no reforço da presença de enfermeiros nas comunidades mais distantes, de forma a garantir o acompanhamento regular dos doentes crónicos.
O ministro revelou que os custos anuais com a diálise a nível nacional ultrapassam os 300 mil contos, defendendo que o investimento na prevenção e no controlo das doenças crónicas poderá reduzir, a longo prazo, o número de pessoas que desenvolvem insuficiência renal.
Questionado sobre a implementação de um serviço de radioterapia em Cabo Verde, destinado sobretudo ao tratamento de determinados tipos de cancro, incluindo casos mais avançados, o ministro confirmou que o projecto continua a ser uma prioridade do Governo.
Lúcio Miranda Fernandes confirmou que o Governo está a trabalhar para concretizar o projeto, mas reconheceu que se trata de um investimento financeiramente exigente e que exige preparação técnica e infraestruturas específicas. «Estamos nesse processo de negociação», afirmou, acrescentando que o Executivo pretende dar sinais concretos para que Cabo Verde possa vir a dispor de um serviço de radioterapia durante a atual legislatura.
O ministro evitou, no entanto, avançar uma data para o início da construção das infraestruturas necessárias, nomeadamente o bunker que deverá acolher os equipamentos de radioterapia. Garantiu apenas que o processo está em andamento e que o país deverá receber mais informações oportunamente.
NN