MpD fecha convenção com nova direção, um Senado  e demissão de Luís Carlos Silva

11/10/2026 22:00 - Modificado em 11/10/2026 22:00
XIV Convenção Nacional do MpD

A XIV Convenção Nacional do MpD confirmou Paulo Veiga como líder de uma nova etapa do partido, mas deixou também claro que a prioridade imediata da nova direção será recompor a organização depois da derrota eleitoral de Maio, reconstruir a confiança dos militantes e reposicionar o partido na oposição.

O encontro, que decorreu de 09 a 11 de Outubro, na Assembleia Nacional, na Cidade da Praia, terminou com a eleição de Isa Costa, Orlando Dias e Celso Ribeiro como novos vice-presidentes do MpD. No mesmo dia, os delegados aprovaram a nova Direção Nacional, liderada por Lúcia Passos, a primeira mulher a presidir esse órgão desde a criação do partido.

A lista da Direção Nacional integrou elementos ligados às três candidaturas que disputaram a liderança interna, Paulo Veiga, Luís Filipe Tavares e Herménio Fernandes, e foi aprovada com 218 votos a favor, 11 abstenções e sete votos contra, segundo dados divulgados pela Inforpress.

A composição da nova direção mostra uma tentativa de acomodar as diferentes sensibilidades internas e encerrar o ciclo de disputa pela liderança, mas sem apagar os sinais de tensão que marcaram a convenção.

Um desses sinais foi a demissão formal de Luís Carlos Silva da liderança da bancada parlamentar do MpD, apresentada durante o debate sobre a revisão dos Estatutos. O deputado justificou a decisão com o argumento de não querer constituir obstáculo à nova liderança nem ao partido.

A convenção ficou ainda marcada pela aprovação da revisão estatutária, apresentada como uma das apostas de Paulo Veiga para transformar o funcionamento interno do MpD. A reforma prevê a criação de núcleos locais, redes temáticas, uma Escola Política José Filomeno Monteiro, um Conselho de Disciplina e o Senado do MpD.

Segundo a informação avançada durante os trabalhos, o Senado será um órgão consultivo composto por 45 personalidades e destinado a preservar a memória, os valores e a experiência política do partido. Carlos Veiga, fundador do MpD e antigo primeiro-ministro, será o primeiro presidente desse órgão, cuja eleição deverá ocorrer numa convenção extraordinária marcada para Janeiro.

No discurso de abertura, Paulo Veiga já tinha colocado o tom político da convenção ao reconhecer que o MpD perdeu a confiança de parte dos seus apoiantes e que o partido deve procurar compreender as razões desse afastamento. “As pessoas não nos devem o seu apoio. Somos nós que temos de merecer a sua confiança”, afirmou, numa intervenção em que defendeu maior escuta, autocrítica e proximidade com a sociedade, segundo a

A convenção, realizada sob o lema “Todos unidos, mais fortes”, confirmou formalmente a nova liderança, mas abriu também uma fase delicada para o MpD: a de transformar a unidade proclamada em funcionamento político efectivo, articular a direcção partidária com a bancada parlamentar e preparar o partido para exercer oposição num quadro interno ainda em reorganização.

No plano simbólico, a eleição de Lúcia Passos para a Direção Nacional, a criação do Senado presidido por Carlos Veiga e a escolha de vice-presidentes ligados à nova etapa procuram combinar renovação, memória histórica e equilíbrio interno.

No plano político, porém, a demissão de Luís Carlos Silva mostra que a recomposição do MpD não será apenas um processo administrativo. A nova liderança sai da convenção legitimada, mas com o desafio de provar que a unidade interna pode resistir ao exercício concreto da oposição.

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.