
As obras de restauração da Praça Amílcar Cabral, conhecida popularmente como Praça Nova, em São Vicente, estão embargadas pelo Instituto do Património Cultural (IPC) e pelo Ministério da Cultura. A informação foi avançada pelo presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, durante a sexta sessão ordinária da Assembleia Municipal.
O autarca respondia a uma munícipe que questionou o actual estado da praça, que, segundo relatou, tem sido utilizada como abrigo por cães vadios e como “retrete a céu aberto”.
“Os trabalhos na praça estão embargados. Há muito tempo que estávamos atrás do financiamento para começar a obra, mas quando começámos a obra de restauração, ela foi embargada pelo IPC e pelo Ministério da Cultura”, afirmou Augusto Neves, sem, no entanto, detalhar as razões apresentadas pelas entidades para determinar o embargo.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, a autarquia pretende também construir uma nova casa de banho no espaço, junto ao quiosque de Vitória, considerando que as necessidades actuais da praça e da cidade são diferentes das de outros tempos.
“Foi a proposta da Câmara Municipal para fazer mais uma casinha de banho ao lado do quiosque de Vitória. Não achamos isso nada de diferente”, explicou.
Augusto Neves acrescentou que o projecto está agora dependente da avaliação do IPC e que o processo relacionado com o embargo se encontra em tribunal.
“O IPC quer avaliar e estamos à espera, porque a obra está embargada a nível do tribunal”, esclareceu.
O autarca deixou ainda no ar a existência de outros factores relacionados com o processo, afirmando que “por detrás deste embargo há outros contornos” sobre os quais falará “no momento próprio”.
Em Julho deste ano, o vereador de Acção Social e Património da Câmara Municipal de São Vicente, Rodrigo Martins, tinha anunciado à Inforpress que a Praça Amílcar Cabral seria alvo de uma “requalificação profunda”, com o objectivo de devolver vitalidade a um dos espaços mais emblemáticos do Mindelo.
A intervenção resultaria de uma parceria entre a Câmara Municipal de São Vicente e o Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD).
O projecto apresentado previa a reactivação do repuxo, uma das antigas aspirações dos mindelenses, bem como a reabertura do espaço Piquenique e do quiosque.
Estavam igualmente previstas intervenções no piso, bancos e iluminação pública, além da recuperação do coreto, com o objectivo de voltar a acolher actuações da Banda Municipal, recuperando uma tradição ligada à história da Praça Nova.
Por agora, contudo, o projecto encontra-se condicionado pelo embargo, enquanto se aguarda a evolução do processo e a posição das entidades responsáveis pelo património cultural.