A Seleção Nacional de Futebol vai disputar neste mês as duas primeiras jornadas de qualificação ao CAN 2027, defrontando o Mali, no dia 25, em Bamako, e o Ruanda, no dia 29 de Setembro, na cidade da Praia.

O selecionador nacional, Humberto Bettencourt, considera que Cabo Verde terá pela frente um grupo “bastante equilibrado e exigente” na corrida à qualificação para a próxima edição do Campeonato Africano das Nações (CAN).
É que segundo o técnico, a dificuldade não está apenas na qualidade das seleções que integram o grupo, mas também nas condições encontradas nos jogos fora de casa, nomeadamente as deslocações e as diferenças climatéricas. Entre os adversários, Bettencourt destaca o Mali como uma seleção com um histórico particularmente forte na competição. O treinador lembra que os malianos têm presença habitual nas fases finais do CAN e contam com jogadores de qualidade.
“Cada um dos adversários tem a sua característica e o seu histórico”, sublinha, acrescentando que o Mali, pela experiência acumulada e pela qualidade individual dos seus jogadores, representa naturalmente um desafio importante.
Mas o selecionador alerta que Cabo Verde não pode concentrar as atenções apenas no Mali. Rwanda e Libéria, segundo Bettencourt, também registaram uma evolução significativa nos últimos anos e são capazes de criar dificuldades.
O técnico recorda que Cabo Verde já enfrentou a Libéria no percurso de qualificação para o Mundial de 2022, numa partida em que o adversário criou “enormes dificuldades”. Na sua avaliação, a seleção liberiana apresenta atualmente uma identidade de jogo mais definida e maior capacidade competitiva.
Quanto ao Rwanda, Bettencourt considera igualmente que houve uma evolução evidente, pelo que não deve ser encarado como um adversário teoricamente acessível.
Perante este cenário, a orientação passa por abordar a competição “jogo a jogo”, procurando resolver cada desafio no momento certo. Humberto Bettencourt rejeita ainda a ideia de que existam jogos fáceis com base apenas no ranking ou no estatuto das seleções.
Para o treinador, o futebol africano tornou-se cada vez mais competitivo, com as chamadas seleções teoricamente mais fracas a conseguirem discutir os jogos em igualdade de circunstâncias com adversários melhor classificados. “Na verdade, os jogos só começam sempre com igualdade. Onze contra onze”, observa.
O selecionador considera que fatores como a organização, a qualidade dos jogadores, as condições de preparação e o acesso à informação contribuíram para reduzir as diferenças entre as seleções. E defende que, atualmente é mais difícil estabelecer uma separação clara entre equipas fortes e fracas, uma vez que o desempenho dentro de campo depende de vários fatores.
O facto de Cabo Verde ter ficado num grupo com adversários da mesma região também representa, na perspetiva do técnico, uma vantagem do ponto de vista logístico.
As deslocações para países como Rwanda, Uganda ou Tanzânia, em anteriores competições, implicavam viagens mais longas e maior desgaste, sobretudo quando eram realizadas entre dois jogos.
Com adversários geograficamente mais próximos, há uma redução da carga associada às viagens. Ainda assim, Bettencourt alerta que o futebol africano apresenta outros constrangimentos que podem surgir independentemente da distância entre os países.
Para o selecionador, Cabo Verde terá, por isso, de estar preparado para diferentes contextos e encarar cada partida com o mesmo nível de concentração.
A caminhada para o CAN começa já esta semana, com os Tubarões Azuis a iniciarem a disputa por um lugar na fase final da competição.
NN