Suspensão dos campeonatos nacionais de andebol gera descontentamento entre clubes

21/09/2026 15:28 - Modificado em 21/09/2026 15:28

A suspensão dos Campeonatos Nacionais de Andebol, nas categorias masculina e feminina, após a conclusão da fase de grupos, está a gerar surpresa e descontentamento entre os clubes participantes. A decisão da Federação Cabo-verdiana da modalidade surge depois de um primeiro adiamento da competição, em julho, e deixa atletas e equipas sem informações concretas sobre a retoma das provas.

O fundador e treinador do tetracampeão nacional Azastar, Imagraça, critica sobretudo o silêncio da Federação ao longo de todo o processo. O responsável considera que a modalidade atravessa um período de grande desorganização e lamenta a falta de respostas às preocupações dos clubes.

“É triste, porque nós estamos a ser ignorados. Nos meus 30 e tal anos de estrada, acho que nunca vi tamanha desorganização.”

Segundo o treinador, os atletas prepararam-se desde o início da época com o objetivo de disputar o campeonato nacional, mas os sucessivos adiamentos comprometeram o planeamento das equipas. O Azastar, que procura conquistar o pentacampeonato nacional, continua a assegurar a preparação dos jogadores, apesar da incerteza quanto à realização da fase final.

A manutenção dos treinos representa custos adicionais para o clube, nomeadamente com água, transporte e outras despesas relacionadas com os atletas. Imagraça lamenta que, até ao momento, a Federação não tenha apresentado informações sobre o local ou as datas para a conclusão da competição.

O treinador afirma ainda que os clubes têm utilizado um grupo no WhatsApp para partilhar dúvidas e questionamentos, mas sem obter respostas concretas da Federação. Perante este cenário, considera que a atual situação demonstra uma falta de organização que compromete o desenvolvimento do andebol nacional.

ABC enfrenta dificuldades na gestão profissional das atletas

Enquanto o Azastar procura defender o título, o ABC entra na fase decisiva da época com o objetivo de recuperar o campeonato perdido para o Amarante na temporada passada.

A capitã da equipa, Susana Barros, identifica a conciliação entre a vida profissional e a prática desportiva como uma das principais dificuldades provocadas pelos adiamentos. A atleta explica que as jogadoras precisam de articular os compromissos laborais com os treinos e as competições, num processo que envolve dispensas, férias e organização dos recursos humanos.

“A nossa maior dificuldade é o nosso trabalho, o nosso serviço. Sabemos que há questões de dispensas e de organização dos serviços.”

Susana Barros reconhece que os adiamentos têm sido constrangedores para o ABC e para a modalidade em geral. No entanto, defende que as críticas à Federação devem ser acompanhadas de propostas e contributos concretos para a melhoria do andebol cabo-verdiano.

A capitã questiona aqueles que se limitam a criticar a gestão da modalidade, sem apresentar soluções para os problemas existentes.

“O andebol não precisa só de críticas. Precisamos de pessoas com ideias para melhorar a modalidade.”

Federação promete encontrar datas e local para a conclusão

Contactada pela reportagem, a presidente da Federação Cabo-verdiana de Andebol recusou pronunciar-se sobre os motivos da suspensão dos Campeonatos Nacionais.

A responsável garantiu, contudo, que a sua equipa está a trabalhar para encontrar as melhores datas e o local adequado para a conclusão das provas nacionais, tanto no sector masculino como no feminino.

Até ao momento, os clubes continuam a aguardar informações oficiais sobre o calendário e as condições para a retoma da competição, enquanto os atletas enfrentam os desafios de manter a preparação desportiva e conciliar os compromissos profissionais com uma época marcada pelos adiamentos.

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