
O ministro da Educação, Arnaldo Brito, defendeu hoje uma mudança no modelo de ensino em Cabo Verde, com maior aposta na formação dos alunos enquanto cidadãos, em vez de uma escola centrada essencialmente na transmissão de conteúdos.
O governante falava à imprensa após a abertura oficial do ano lectivo 2026/2027, realizada na Escola Secundária Fulgêncio Tavares, em São Domingos, numa cerimónia marcada por um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente ocorrido no Fogo, no dia 5 de Setembro. A maioria das vítimas era constituída por estudantes que regressavam de um passeio de despedida das férias.
Na ocasião, Arnaldo Brito apelou a uma “reflexão profunda” sobre o sistema educativo cabo-verdiano, considerando que o modelo actual “está esgotado” e “já não responde adequadamente” aos desafios do país. A reflexão acontece no primeiro ano lectivo após as celebrações dos 50 anos da independência de Cabo Verde.
“O papel da escola é educar, e a escola é o centro educativo por excelência”, afirmou o ministro, defendendo a necessidade de colocar a educação no centro do debate e de ultrapassar uma lógica escolar orientada sobretudo para o ensino de conteúdos.
Para o ministro da Educação, a transformação deve começar pela forma como a escola é entendida, deixando de ser vista apenas como um edifício e passando a ser encarada como uma construção social, com uma visão educativa própria e uma perspectiva clara sobre o tipo de formação que pretende proporcionar aos alunos.
Arnaldo Brito defendeu, neste sentido, que as escolas devem beneficiar de maior autonomia para definir a sua organização e as suas prioridades, reduzindo a dependência de orientações detalhadas do Ministério da Educação.
“Não queremos ter escolas que são telecomandadas pelo Ministério da Educação. Nós queremos que cada escola se transforme num organismo autónomo e institucional, que ao invés do Ministério da Educação estar a definir todos os detalhes sejam as escolas a enviar-nos as suas orientações e como querem organizar-se, como querem funcionar”, explicou.
Segundo o governante, a proposta integra um processo mais amplo de reflexão sobre o sistema educativo de que Cabo Verde necessita para responder aos seus desafios sociais e às exigências da formação das novas gerações.
Arnaldo Brito apelou igualmente ao envolvimento dos pais e encarregados de educação, sublinhando que a transformação do sistema educativo não pode ser uma responsabilidade exclusiva das escolas ou do Governo.
Relativamente às condições para o arranque do novo ano lectivo, o ministro garantiu que, de forma global, estão reunidas as condições para o funcionamento das escolas, embora tenha reconhecido a existência de problemas pontuais em alguns estabelecimentos de ensino.
Sob o lema nacional “Educação e conhecimento: transformando o presente e construindo o futuro de Cabo Verde”, o ano lectivo 2026/2027 arranca com o desafio de repensar o papel da escola e reforçar a sua contribuição para a formação integral dos alunos e para o desenvolvimento do país.